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A influência burguesa na educação moderna Imprimir E-mail
Escrito por Paula Esteves Oliveira   


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A INFLUÊNCIA BURGUESA NA EDUCAÇÃO MODERNA

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

 
RESUMO
 As idéias e pensamentos filosóficos influenciaram a transformação do ensino no início da educação moderna e, ainda hoje essas idéias e pensamentos influenciam os pedagogos. Na educação moderna a criança se desprende dos dogmas da igreja e pode se expressar livremente com toda a sua pureza. Com o fim das cruzadas no século XIII, ocorre um grande crescimento urbano e cultural. A burguesia cresce e no período do renascimento, as sociedades se interessam fortemente pela educação. A burguesia tem interesse pela educação, para que seus filhos tomassem frente à política e aos seus negócios. Com o descontentamento da classe dos trabalhadores, ouve grandes e violentos conflitos entre burgueses e proletariados. Começa aí a influência da burguesia na educação, para que com pensamentos de ordem, as contradições e espontaneidade fossem deixadas de lado. Palavras-chave: Educação; Influência; Burguesia.

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho mostra um pouco sobre a filosofia moderna e a sua influência na pedagogia. Influência essa que se estende até os dias atuais. A educação moderna e a mudança do método educacional do período medieval, onde as crianças eram colocadas juntas, sem diferença de idade, para aprenderem a ler, escrever e rezar. Também mostra o grande crescimento da burguesia e o interesse dela pela educação. Os burgueses queriam seus filhos na frente da política e dos negócios. Assim como a burguesia, os problemas sociais também cresceram e a insatisfação da classe trabalhadora causou muitas revoltas. Revoltas essas, que levaram a burguesia a influenciar a educação, transformando pensamentos de espontaneidade e contradições em pensamentos de ordem. 2 A FILOSOFIA MODERNA E SUA INFLUÊNCIA NA PEDAGOGIAO século XVII caracterizou-se pelo cuidado com o método na filosofia, na ciência e na educação. Neste período, encontramos duas tendências opostas que é a do racionalismo e a do empirismo. Ainda hoje as idéias filosóficas junto com a ciência, influenciam os pedagogos que sempre buscam uma maneira de tornar a educação mais prazerosa e eficaz na prática. Ao contrario da educação formal o realismo privilegia a experiência. 2.1 RACIONALISMOO principal representante do racionalismo foi o filósofo Descartes, considerado por muitos como o pai da filosofia moderna. Iniciou seus estudos com a dúvida. Descartes duvida de tudo, desde que se possa encontrar um argumento. Descartes estabeleceu um método com algumas regras, entre elas a evidência, a análise e a síntese. Toda a precipitação e preconceito são evitados, tomando por verdadeiro somente o que é claro, sem que fiquem dúvidas. As dificuldades são divididas no máximo de parcelas possíveis, sendo estudadas e analisadas para se obter clareza. Os pensamentos devem ser concluídos por ordem, começando dos objetivos mais simples aos mais complexos. 2.2 EMPIRISMODo grego empeiria, que significa experiência, é uma linha de pensamento ao contrario do racionalismo. Os principais filósofos que representaram o empirismo foram Bacon e Locke. Bacon valorizou a indução e a necessidade da experiência. Locke, que tem uma mesma linha de pensamento, afirma que tudo que há no espírito já passou pelos sentidos. De acordo com Aranha (2006, p. 22) “Locke critica a teoria das idéias inatas de Descartes, afirmando que a alma é como uma tábua rasa (tábua sem inscrição), por isso o conhecimento só começa após a experiência sensível.”  3 A EDUCAÇÃO MODERNAA escola moderna, surgiu a partir dos séculos XVI E XVII, e tinha um propósito de se ensinar de uma forma mais rápida e segura. Conforme Aranha (2006, p. 157), “Esse foi o empenho de toda a vida de João Amós Comênio (1592-1670), nascido na Moravia. O maior educador e pedagogo do século XVII conhecido com justiça como o Pai da Didática Moderna, [...]”. Ele próprio elaborava seus manuais e os organizava para que o aluno gradativamente recebesse o ensino conforme a sua aprendizagem, de uma maneira prazerosa e eficiente.A escola medieval destinava-se a formação do clero e acolha as crianças de qualquer idade, ensinando a ler, escrever e rezar. Ela isolava a criança da sociedade dos adultos para que as carícias não excitassem o corpo ou o sexo da criança e nada fizesse contra a impureza. Na educação moderna, a criança se desprende dos dogmas da igreja. Agora a criança é valorizada pela sua espontaneidade e sua natureza infantil e pura.Um dos principais livros de Comênio foi Didática Magma, onde ele diz que não apenas os filhos dos ricos deveriam ser enviados a escola, mas todas as crianças, independente de sua classe social ou sexo. 4 A EDUCAÇÃO BURGUESACom o fim das cruzadas no século XVIII, o quadro econômico europeu se alterou profundamente e provocou a reabertura do mar Mediterrâneo e assim, surgiu o crescimento urbano e cultural. Com a revolução industrial em 1750 a burguesia já tinha grande poder econômico e a revolução burguesa era inevitável. Aranha (2006, p. 172) disse que “Contra os privilégios hereditários da nobreza, os burgueses defendiam os princípios de igualdade, liberdade e fraternidade”.No período do renascimento, as sociedades tinham grande interesse pela educação. A burguesia queria educar seus filhos para que eles tomassem a frente da política e dos negócios.Além de influências numa nova forma de vida e trabalho, a revolução causou mudanças na maneira de produção e de distribuição de mercadorias. As relações comerciais se expandiram por todo o globo e assim vem o crescimento da produção e do mercado consumidor. Faustino e Gasparim (2007) disseram que “Essas transformações atingiram toda a estrutura social, causando inúmeros protestos, revoltas e guerras, levados a cabo por aqueles que ficaram excluídos dos benefícios dessa nova fonte de produção e riquezas”.Com o crescimento industrial, a sociedade e a ciência crescem juntas. A burguesia também realizou uma revolução política e judicial passando o poder que era dos reis para a nação. Os burgueses baseavam-se em princípios de liberdade de produção e circulação de mercadorias e o trabalho assalariado. Faustino e Gasparim (2007) disseram que “Ao exigir a transformação dos Estados Gerais em Assembléia Constituinte – no limiar da Revolução – a burguesia estava realizando uma revolução juridicopolítica, [...]”. Com a exploração da classe trabalhadora e os baixos salários ouve conflitos violentos entre burgueses e trabalhadores. A educação universal seria uma maneira de se infiltrar no meio social dos proletariados e desenvolver idéias de harmonia. Era uma maneira de satisfazer o povo com a educação e a religião, já que o poder político foi negado a eles.Freire (2005) disse que:Não foi, por exemplo – costumo sempre dizer – a educação burguesa a que criou ou informou a burguesia, mas a burguesia a que, chegando ao poder, teve o poder de sistematizar a sua educação. Os burgueses, antes da tomada do poder, simplesmente não poderiam esperar da aristocracia no poder que pusessem em prática a educação que lhes interessava. A educação burguesa, por outro lado, começou a se constituir, historicamente, muito antes mesmo da tomada do poder pela burguesia. Sua sistematização e generalização é que só foram viáveis com a burguesia como classe dominante e não mais contestatória.Depois da revolução, a burguesia percebeu que todas as armas utilizadas contra o feudalismo se voltaram contra ela. A ciência e a filosofia burguesa sofreram mudanças entrando num período de decadência e substituição. A espontaneidade e contradições são abandonadas para o pensamento se adaptar as necessidades burguesas. A pesquisa é trocada pela doutrina, e a sua narrativa são frases que glorificam a ordem estabelecida. Observa-se nesse ponto a grande influência burguesa na educação. 5 CONCLUSÃOA educação sofreu grandes transformações da idade média para a idade moderna. Através dos pensamentos e idéias filosóficas, a criança que antes era educada para a formação do clero e era isolada da sociedade adulta, na educação moderna, a criança podia se expressar e ser espontânea e natural. Com princípios de igualdade, fraternidade e liberdade, a burguesia queria seus filhos educados para tomarem a frente da política e dos negócios. O seu grande crescimento e a desigualdade social, causou grande descontentamento na classe trabalhadora e grandes conflitos violentos foram travados. A burguesia usa seu poder para influenciar a educação, e a espontaneidade e as contradições são abandonadas. A pesquisa é trocada pela doutrina, e os pensamentos e idéias de raciocínio e análise são trocadas por idéias de ordem.

6 REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.FAUSTINO, Rosângela Célia; GASPARIN, João Luiz. A influência do positivismo e do historicismo na educação e no ensino de história. Disponível em:<www.ppg.uem.br/docs/ctf/humanas/2001/20_182_00_rosangela%20celia_a%20influencia.pdf>. Acesso em: 05 mar. 2007.FREIRE, Paulo. Alfabetização de adultos e bibliotecas populares – uma introdução. Disponível em: <http:/academia.extralibis.info/letramento/alfabetização_de_adultos_e_bib.html>. Acesso em: 05 mar. 2007.
 
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