Atualmente, fala-se muito em educação financeira voltada às crianças e discute-se sobre elas aprenderem a importância do dinheiro e de sua administração para poderem planejar melhor o futuro. Algumas escolas já acrescentaram a educação financeira a seu currículo. Entretanto, muitos adultos nunca ouviram falar sobre o tema e acabam colhendo os amargos frutos de sua má-formação. De modo geral, as pessoas foram bem-educadas para conviver social e profissionalmente e para possuírem uma boa formação cultural. Já a educação financeira foi e ainda é renegada a segundo plano.
A falta de uma boa formação nesse aspecto gera estresse, noites maldormidas, preocupações triplicadas, entre outros problemas. Se esse despreparo para lidar com dinheiro for associado a uma crise como o desemprego, por exemplo, a situação pode tornar-se caótica, pois as recolocações costumam levar em média seis meses. Além disso, a capacidade do profissional passa a ser “leiloada”, pois muitos deles, na hora do desespero, acabam aceitando um “lance” ruim de uma empresa para poderem voltar à ativa. Para um profissional não ficar à mercê do mercado, é necessário que ele se autogerencie. Do mesmo modo, quem é patrão também tem de cuidar de seus investimentos para se impor ao mercado e não ter de prostituir seu serviço ou produto a qualquer custo para sobreviver às crises.
Ter reserva financeira é primordial. Quanto mais uma pessoa desejar possuir autonomia em suas decisões e em sua vida, maior deverá ser essa reserva. Como alguém poderá sobreviver a uma demissão, não concordar com ordens absurdas, largar tudo para estudar no exterior ou mudar o rumo de sua carreira sem ter um bom capital reservado? Você pode estar pensando: guardar o quê, se não sobra nada no fim do mês? Eu diria que tudo é uma questão de prioridade. Você não precisa guardar uma fortuna, mas tente poupar 10% do que ganha e sentirá a diferença no bolso e na paz de espírito. Algumas características psicológicas são comuns a pessoas que gastam mais do que ganham.
Por exemplo: Imaturidade: o despreparo em saber esperar a hora certa, ou seja, o imediatismo, não costuma ser um bom conselheiro; Condicionamentos familiares: quando todos da família costumam “viver no cheque especial”, isso passa a ser normal; Dificuldade em desagradar: quando algum amigo quer vender alguma coisa a essas pessoas, elas não sabem dizer não; Competitividade: gera ambição exagerada; Crise de identidade: em um mundo consumista em que tudo é descartável, inclusive as próprias pessoas, como não querer igualar-se a todos? É lógico que o dinheiro deve proporcionar prazer, lazer, descanso e alguns mimos pessoais, assim como também é importante adquirir bens. No entanto, o mais importante é que os bens não nos possuam; caso contrário, os problemas serão inevitáveis. Os pais, especialmente, devem tomar muito cuidado na hora em que gastam, pois as palavras são bem menos efetivas que os exemplos, ou seja, a criança e o jovem aprendem muito mais com o que observam.
Mesmo assim, alguns aspectos devem ser analisados no gerenciamento de uma boa educação financeira: Quando a criança aprende a contar, ela já pode ser “apresentada” ao dinheiro, e noções monetárias iniciais já podem ser transmitidas. O primeiro passo para essa educação é ajudá-la a compreender a diferença entre a necessidade e o desejo. Com isso, ela poderá optar de forma mais consciente sobre seus gastos e opinar sobre os da família. Outro aspecto determinante é saber ganhar, poupar e gastar o dinheiro. Isso pode ocorrer por meio de atitudes simples, como levar o filho ao banco, abrir uma poupança para ele ou estabelecer metas, como a compra de um computador novo.
É importante incentivar a criança a guardar dinheiro, mas também permitir que ela efetue sua retirada para concretizar alguma meta prestabelecida junto com os pais. Deve-se mantê-la informada acerca de seus investimentos, pois, dessa forma, ela perceberá de modo concreto o resultado de sua determinação. É interessante fazer com que a criança participe das compras da família, desde a ida ao supermercado até uma aquisição mais significativa e, com isso, estabelecer um diálogo que lhe possibilite a compreensão da importância de o dinheiro ser bem aplicado. Deve-se conversar bastante com os filhos sobre a “sedução” da mídia e ensiná-los a pensar e a desenvolver o senso crítico, abordando questões como: Esse produto faz o que promete? Precisamos disso? Existem mercadorias similares de menor custo?
É bom que eles saibam o que é uma promoção e o que são juros. Enfim, é essencial auxiliar os filhos a desenvolverem o senso crítico, não apenas em relação às drogas, às companhias, à sexualidade e aos estudos. O dinheiro também é um tema de enorme relevância na vida das pessoas. Afinal, por que razão os pais se preocupam tanto com a educação dos filhos, senão para que estes conquistem uma boa condição de subsistência? Ensiná-los a utilizar seu dinheiro propiciará a eles melhores condições de vida material e muito mais equilíbrio emocional quando forem adultos.
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