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Energias alternativas
Sol e vento são fontes renováveis
Florianópolis - A subsistência energética baseada em fontes renováveis, como o sol e o vento, não é mais assunto apenas de livros e de relatos experimentais. O uso das energias solar e eólica é mais próximo e real do que parecia há um ano. Sua utilização, em caráter convencional, está batendo às portas do cotidiano catarinense.
Laguna, no Sul do Estado, terá em funcionamento até o final de 2001 uma usina eólica capaz de produzir 3 megawatts de energia elétrica, o suficiente para abastecer a cidade fora da temporada de verão. Essa usina está sendo produzida em convênio entre as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) e a empresa Wobben Windpower, de Sorocaba/SP. Segundo estudos da Celesc, existem área e condições para ser construída uma usina com capacidade para 150 megawatts onde está em projeto o embrião da captação eólica no Estado.
Com relação à energia fotovoltaica, deve começar em dezembro e estender-se até o final do ano de 2001 a instalação de um sistema de captação e armazenagem de energia solar em 140 escolas municipais que, isoladas, não são atingidas pela energia elétrica. Essas escolas vão ser servidas por iluminação e terão geladeira, liquidificador, televisão, antena parabólica e videocassete, tudo alimentado a baterias carregadas com a luz do sol.
A Celesc tem uma rede de 27 estações anemométricas (para medir a freqüência e a intensidade dos ventos) mostrando que Santa Catarina é o Estado que possui o maior potencial eólico do Brasil. As regiões mais propensas são Laguna, Bom Retiro e Água Doce. As condições teoricamente melhores oferecidas pelo litoral são prejudicadas pela excessiva urbanização da área.
"Até dez anos atrás, o aproveitamento de usinas eólicas era uma utopia, por causa do alto preço da energia elétrica. Hoje, o custo da energia elétrica fornecida por uma usina eólica e por uma usina hídrica está elas por elas", informou Ronê de Oliveira, da Divisão de Desenvolvimento Energético da Celesc. Uma vantagem incontestável, segundo ele, é a rapidez da construção: enquanto se leva cinco anos para erguer uma usina hidrelétrica de médio porte, em uma semana, após a cura do concreto, podem ser montadas as cinco torres aerogeradoras que serão erguidas em Laguna. Cada uma dessas torres pesa 295 toneladas, tem 50 metros de altura e pás que medem entre 30 e 35 metros. Cada uma terá capacidade para gerar 600 quilowatts. Além da rapidez na montagem, as usinas eólicas ocupam pouco espaço - uma área de apenas 12 metros quadrados cada - e não têm nenhum custo ambiental, como o represamento dos rios (usinas hídricas) ou a poluição do ar (termelétricas a gás ou óleo diesel). As usinas eólicas têm a vantagem de funcionar melhor nos horários de pico (entre 18 e 22 horas), quando o vento é mais abundante e o Estado necessita de mais energia para manter o sistema. Além disso, os estudos demonstram que o vento é mais favorável em tempos de estiagem, quando os reservatórios das usinas hidrelétricas normalmente estão em baixa. O inconveniente é: parou de ventar, parou de funcionar. Os aerogeradores precisam de ventos de no mínimo 2,5 metros por segundo para gerar energia. Por isso, os geradores eólicos deverão estar ligados a outras fontes geradoras, para aproveitar o potencial dos ventos e utilizar menos a carga geradas pelas outras usinas.
Energia solar
Onde é mais caro levar a energia elétrica convencional, a Celesc vai entrar com os kits fotovoltaicos. Além das 140 escolas, dois outros projetos já estão em funcionamento: na ilha do Guará, onde o Corpo de Bombeiros tem um centro de treinamento, um equipamento produz 2 quilowatts/hora; na ilha de Ratones, onde existe a Fortaleza de Santo Antônio, são produzidos 4,6 quilowatts/hora. Nos dois casos, as ilhas conquistaram auto-suficiência energética. Em cinco anos, segundo Ronê de Oliveira, a energia solar deve estar sendo explorada comercialmente e pode ser competitiva em relação ao preço da energia fornecida por uma hidrelétrica. Dentro de dez anos, ainda segundo ele, cada residência pode ter um sistema próprio de captação de energia solar, capaz de jogar essa energia na rede elétrica e, conforme for - se gastar menos do que produz - receber da Celesc em vez de pagar. Um projeto desses já está em testes no Instituto de Eletrônica de Potência (Inep), do Departamento de Energia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pela equipe do professor Denizar Cruz Martins. Com o aproveitamento da energia gerada pelo coletor solar, o experimento consegue fazer com que o relógio de medição do consumo de eletricidade gire ao contrário de seu sentido normal, o que seria uma antecipação do que está prevendo Ronê de Oliveira.
O professor Denizar Martins acha que a energia solar ainda é muito cara porque o governo não investe na tecnologia de produção dessa energia. "Se o governo subsidia o óleo diesel para movimentar as usinas termelétricas no Nordeste, por que não subsidia a tecnologia fotovoltaica? Já temos tecnologia e silício à vontade, só falta o subsídio", afirmou.
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