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A URBANIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA Imprimir E-mail
Escrito por SOS Estudante.com   


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A URBANIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA


URBANIZAÇÃO: Fenômeno recente


 Apesar do processo de urbanização ter se iniciado com a Revolução Industrial, ele foi
até  meados do século XX, um fenômeno relativamente lento e circunscrito aos países que
primeiro se industrializaram, os chamados países desenvolvidos. Após a Segunda Guerra
Mundial, esse fenômeno foi concluído nos países desenvolvidos e iniciado de maneira
avassaladora em muitos países subdesenvolvidos, notadamente na maioria dos países latino-
americanos e em muitos países asiáticos. O continente africano até hoje é muito pouco
urbanizado, ainda que o processo já tenha se iniciado em alguns países.
Considerando o planeta como um todo, a taxa de urbanização, no início da Revolução
Industrial não passava de 2%. Segundo dados do Relatório do desenvolvimento humano de
1995, publicado pela ONU, a população que vive em cidades atingiu 34% do total em 1960,
44% em 1992 e a previsão para o ano de 2000 é de 48%. Assim, no raiar do século XXI, a
população urbana mundial deverá superar os 50%.
A partir desses dados conclui-se que o processo de urbanização é um fenômeno muito
recente na história do homem. No entanto, deve-se salientar que tais dados são a média do
planeta. Há países com altas taxas de urbanização e outros ainda essencialmente rurais.
Todos os países desenvolvidos, bem como alguns países de industrialização recente,
apresentam altas taxas de urbanização. Isso ocorre porque o fenômeno industrial,
principalmente nos seus primórdios, não pode ser desvinculado do urbano. Com exceção da
China e da Índia, com as maiores populações do planeta e de industrialização recente, todos
os países industrializados são urbanizados. O contrário, porém, não é verdade. Há países que
apresentam índices muito baixos de industrialização e outros que praticamente não dispõem de
um parque industrial e, mesmo assim, são fortemente urbanizados.


Urbanização em Países Desenvolvidos

Os fatores atrativos da urbanização, em países desenvolvidos, estão ligados
basicamente ao processo de industrialização em sentido amplo, ou seja, as transformações
provocadas na cidade pela indústria, notadamente quanto à geração de oportunidades de
empregos, seja no setor secundário, seja no setor terciário, com salários em geral mais altos.
Essas condições surgiram principalmente nos países de industrialização antiga, os
países desenvolvidos. Nesses países, além das transformações urbanas, houve, como
consequência da Revolução Industrial, também uma revolução agrícola, ou seja, uma
modernização da agropecuária que, ao longo da história, foi possibilitando a transferência de
pessoas do campo para a cidade, principalmente como resultado da mecanização da
agricultura.
A urbanização que ocorreu nos países desenvolvidos foi gradativa. As cidades foram
se estruturando lentamente para absorver os migrantes, havendo melhorias na infra-estrutura
urbana – moradia, água, esgoto, luz, etc. – e aumento da geração de empregos. Assim, os
problemas urbanos não se multiplicaram tanto como nos países subdesenvolvidos. Além disso,
pelo fato de gradativamente haver um aumento nos fluxos de mercadorias e pessoas, o
processo de industrialização foi também se descentralizando geograficamente. Como
resultado, há nos países desenvolvidos uma densa e articulada rede de cidades.


Urbanização em Países Subdesenvolvidos

Já os fatores repulsivos são típicos de países subdesenvolvidos, sem indústrias ou com
um baixo nível de industrialização. Estão ligados fundamentalmente às péssimas condições de
vida existentes na zona rural, em função da estrutura fundiária bastante concentrada, dos
baixos salários, da falta de apoio aos pequenos agricultores, do arcaísmo das técnicas de
cultivo, etc. Assim, há uma grande transferência de população para as cidades, notadamente
para as grandes metrópoles, criando uma série de problemas urbanos. Tais problemas são
resultados de um fenômeno urbano característico de países muito subdesenvolvidos: a
macrocefalia urbana.
É importante destacar que as metrópoles de São Paulo, de Nova Iorque e de Xangai,
que estão entre as cinco maiores do mundo, têm um percentual baixo em relação à população
total e urbana de seus países, porque o total da população do Brasil, dos Estados Unidos e da
China é muito grande. Por outro lado, a população do Uruguai e da Líbia é muito pequena, por
isso Montevidéu e Trípoli, cidades bem menores, têm um peso tão grande na população total e
urbana de seus países. Assim, a macrocefalia deve ser entendida como o resultado da grande
concentração das atividades econômicas, principalmente dos serviços, e, portanto, da
população, em algumas cidades, que acabam se tornando muito grandes relativamente.
Embora esse fenômeno ocorra também em países desenvolvidos, ele assume proporções
maiores nos subdesenvolvidos. Nos países desenvolvidos, como o crescimento das cidades foi
lento e bem estruturado, o fenômeno não assumiu proporções tão grandes como em muitos
países subdesenvolvidos, onde o crescimento das cidades foi, além de muito concentrado
espacialmente, rápido e desordenado. A consequência foi uma série de problemas facilmente
percebidos na paisagem urbana desses países.
O crescimento rápido de algumas cidades, que acaba culminando no fenômeno da
metropolização, é resultado da incapacidade de criação de empregos, seja na zona rural, seja
em cidades pequenas e médias, o que força o deslocamento de milhões de pessoas para as
cidades, que polarizam a economia de cada país. Acrescente-se a isso o fato desses países,
com raras exceções, apresentarem altas taxas de natalidade e, portanto, alto crescimento
demográfico, e está formado o quadro que explica o rápido crescimento das metrópoles no
mundo subdesenvolvido.



Rede Urbana

A rede urbana é formada pelo sistema de cidades, no território de cada país,
interligadas uma às outras através dos sistemas de transportes e de comunicações, pelos
quais  fluem pessoas, mercadorias, informações, etc. Obviamente, as redes urbanas dos
países desenvolvidos são mais densas e articuladas, pois tais países apresentam alto nível de 
industrialização e de urbanização, economias diversificadas e dinâmicas, vigoroso mercado
interno e alta capacidade de consumo. Quanto mais complexa a economia de um país ou de
uma região, maior é sua taxa de urbanização e a quantidade de cidades, mais densa é a sua
rede urbana e, portanto, maiores são os fluxos que as interligam. As redes urbanas de muitos
países subdesenvolvidos, particularmente daqueles de baixo nível de industrialização e
urbanização, são muito desarticuladas, por isso as cidades estão dispersas no território, muitas
vezes nem mesmo formando propriamente uma rede.
Assim, as redes de cidades mais densas e articuladas surgem justamente naquelas
regiões do planeta onde estão as megalópoles: nordeste e costa oeste dos Estados Unidos,
porção ocidental da Europa e sudeste da ilha de Honshu no Japão, embora haja importantes
redes em outras regiões do planeta, como aquelas polarizadas pela Cidade do México, por São
Paulo, por Buenos Aires e muitas outras de menor importância espalhadas pelo mundo.


Hierarquia Urbana


Desde o final do século XIX, muitos autores passaram a utilizar o conceito de rede
urbana para se referir  à crescente articulação existente entre as cidades, como resultado da
expansão do processo de industrialização ou urbanização. No mesmo  período, na tentativa  de
apreender as relações travadas entre as cidades no interior de uma rede, a noção de
hierarquia urbana também passou a ser utilizada. O conceito foi tomado do jargão militar, em
que há, de fato, uma rígida hierarquia, ou seja, o subordinado tem de se reportar ao seu
superior imediato. Assim, por exemplo, no exército, o soldado tem de se reportar ao cabo, que
por sua vez tem de se reportar ao sargento, que tem de se reportar ao tenente, capitão, etc.
Sempre num crescendo de poder e influência, até chegar ao topo máximo da hierarquia, que
seria o posto de general. Desse modo, fazendo uma analogia, a vila seria o soldado e a
metrópole completa, o general. Logo, a metrópole seria o nível máximo de poder e influência
econômica e a vila, o nível mais baixo, e sofreria influência de todas as outras. Desde o final do
século XIX, até meados da década de 70, foi essa a concepção de hierarquia urbana utilizada.

 
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