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Escrito por SOS Estudante.com   


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Economia


Embora a economia só tenha começado a se desenvolver como ciência no século XVIII, ela adquiriu tamanha importância no mundo contemporâneo que o conhecimento de seus conceitos fundamentais é imprescindível para a compreensão dos grandes problemas sociais e políticos de nosso tempo.

A expressão "economia política" foi usada pela primeira vez por Antoine de Montchrestien em seu livro Traité d'économie politique (1615; Tratado de economia política). A partir daí, o termo caiu em desuso, voltando a ser empregado, de 1770 em diante, quando autores ingleses, italianos e franceses o escolheram para designar a nova ciência que começava a estruturar-se.

A palavra economia (do grego oíkos, "casa", e nómos, "lei") quer dizer "administração do patrimônio". O adjetivo "política" indica que o objeto do estudo engloba os fenômenos relativos à administração dos bens de uma coletividade, seja de um estado, seja de determinados grupos sociais.

Muitas controvérsias surgiram, desde o século XVIII, a respeito da adequação do qualificativo "política" para designar essa nova ciência. Outros adjetivos foram propostos em seu lugar, tais como "nacional", "pública", "civil" e "social", embora nenhum deles tenha sido consagrado pelo uso. É possível que a expressão "economia política" tenha ganhado ampla difusão porque diversos autores continuaram sustentando, apesar da distinção feita pelos clássicos, que economia e política permaneciam necessariamente unidas, inclusive no campo teórico.

No final do século XIX, alguns economistas procuraram fazer distinção entre economia pura e aplicada. Para o francês Léon Walras, por exemplo, a economia pura "é essencialmente a teoria da determinação dos preços num regime hipotético de concorrência perfeita e absoluta". A necessidade, contudo, de um estudo paralelo que permita a aplicação da teoria à realidade faz que a divisão entre economia pura e aplicada não apresente grande importância, estando compreendidos ambos os conceitos dentro do que hoje se convencionou chamar de ciência econômica. Atualmente, costuma-se empregar, de fato, o termo "ciência econômica" para delimitar o campo de investigação dos economistas. A expressão parece bastante acertada, embora seja um termo restritivo em relação a "economia política". As expressões "ciência econômica" e "economia política" não são inteiramente equivalentes, pois a primeira parece ignorar as conseqüências políticas que resultem de seu estudo.

Conceitos gerais

Objeto da economia. Uma frase do economista britânico Alfred Marshall -- "todas as afirmações sumárias sobre economia são falsas, exceto, talvez, esta" -- ilustra bem, malgrado seu deliberado exagero, a complexidade da ciência econômica. De fato, são muito diversas as definições já propostas para a economia. De modo geral, porém, pode-se afirmar que a economia é a ciência que trata da administração dos recursos que, sendo escassos, são também necessários ou desejados pelo homem, e, mais concretamente, do estudo das trocas, produção, distribuição e consumo da riqueza.

Relação da economia com outras ciências. Em que pese recorrer de maneira crescente e sistemática à matemática, a economia continua a ser, fundamentalmente, uma ciência social. Um fato econômico não passa de um aspecto particular de um fato social mais complexo e plural, com o qual se encontra em estreita inter-relação e dependência. Assim, a economia diz respeito a todas as ciências sociais -- sociologia, política, história etc. -- e, do mesmo modo, recebe delas numerosas contribuições teóricas.

Bens econômicos. Se o homem encontrasse com abundância, na natureza, tudo quanto deseja, a economia não existiria como tal. Entretanto, é axiomático em economia que os bens econômicos são escassos, ao passo que as necessidades humanas são infinitas.

Os bens econômicos podem ser materiais -- um automóvel, por exemplo -- ou imateriais, como os serviços prestados por uma instituição financeira. Entre os bens materiais distinguem-se os de consumo, como alimentos, roupas etc., e os de produção ou capital, como as matérias-primas e as máquinas industriais, que servem para a criação de novos bens econômicos.

Setores econômicos. Já foram propostas diversas divisões da atividade econômica, porém a mais utilizada é a que foi sugerida em 1930 pelo economista australiano Colin Grant Clark, que considera a existência de três setores básicos: o primário, o secundário e o terciário.

O setor primário compreende a agricultura, a pecuária e a pesca, além das indústria extrativas, florestais ou minerais. O setor secundário é integrado por todas as atividades de transformação e é também chamado, freqüentemente, industrial. O setor terciário, conhecido igualmente como setor de serviços, agrupa todas as atividades econômicas não relacionadas diretamente com a produção de bens físicos, como os transportes, a administração pública, as atividades bancárias etc.

De acordo com o grau de desenvolvimento dos diversos países, altera-se a participação dos diferentes setores em sua economia. Assim, os países em desenvolvimento podem apresentar um setor primário proporcionalmente muito importante, ao passo que nos países desenvolvidos esse setor perdeu importância para o industrial e o de serviços.

Microeconomia e macroeconomia. A divisão da economia em micro e macroeconomia só se generalizou no século XX, quando, cada vez mais, tornou-se necessária uma reflexão generalizadora sobre a economia dos diversos países ou das grandes áreas geoeconômicas. Enquanto a microeconomia concentra a atenção na análise das unidades elementares da vida econômica, a empresa e o consumidor, identificando-se assim com a economia clássica, a macroeconomia se ocupa do estudo dos grandes fenômenos econômicos, como, por exemplo, a produção nacional, a distribuição das rendas, a evolução da poupança e dos investimentos etc.

Embora as análises macroeconômicas sejam modernas, como ficou dito, existem delas notáveis antecedentes. O mais célebre é o Tableau économique (1758; Quadro econômico) do médico e economista francês François Quesnay, que estudava a distribuição dos excedentes agrícolas entre as diferentes classes sociais e foi considerado um remoto precursor das modernas tabelas de insumo-produto (input-output).

Essas tabelas são, exatamente, um dos principais instrumentos macroeconômicos empregados na atualidade. Criadas pelo economista americano, de origem russa, Vassili W. Leontief, elas sistematizam as inter-relações econômicas dos diversos setores produtivos. Essas tabelas de insumo-produto constam de três partes: o quadro das transações inter-industriais entre os diferentes setores produtivos; a tabela dos insumos primários, constituída pelo valor adicionado que um setor acrescenta aos elementos por ele adquiridos; e o quadro da procura final, em que se pormenorizam e se quantificam os bens e serviços totais produzidos por cada setor.

Entre suas aplicações mais representativas estão o cálculo do efeito inflacionário de um produto qualquer, a influência de uma elevação dos salários no sistema, o efeito de uma variação da procura final sobre a totalidade do sistema econômico, a estimativa de crescimento potencial da economia e de suas possibilidades de criação de emprego ou a análise da estrutura produtiva de uma economia, identificando separadamente suas deficiências e dependências.

Produto nacional. O principal dado macroeconômico de um país é a produção total por ele obtida ao longo de um ano. Esse número materializa o resultado das atividades de todos os agentes econômicos, e por meio dele mede-se o crescimento da economia.

Obtém-se o produto interno bruto (PIB) mediante a soma do valor de todos os bens finais -- ou seja, excluindo-se os chamados bens intermediários, cuja única finalidade é a criação dos bens finais -- produzidos no país durante um ano. O PIB tem, pois, uma dimensão de territorialidade e não considera a nacionalidade dos agentes econômicos. Quando se leva em conta a nacionalidade dos agentes econômicos, residam eles no país ou não, obtém-se o chamado produto nacional bruto (PNB).

Se nessas duas grandezas se tomam em consideração também os custos da amortização da máquina produtiva, isto é, seu desgaste e sua depreciação, obtêm-se o produto interno líquido (PIL) e o produto nacional líquido (PNL).

Doutrinas econômicas

Da antiguidade ao século XVIII. Só no século XVIII a economia se configurou como uma ciência diferenciada. Até então, eram quase exclusivamente os filósofos e os teólogos que se interessavam pelo tema, e, de maneira geral, apenas em seus aspectos éticos e religiosos.

Aristóteles distinguiu a existência de duas "crematísticas", ou modos de enriquecimento: uma natural ou moralmente justa, que se baseava na produção de bens e na qual era lícita a utilização de escravos; e outra não natural, na qual os lucros eram obtidos por meio do empréstimo de dinheiro a juros e dos negócios em geral. Na Idade Média, a filosofia escolástica retomou as idéias de Aristóteles e desenvolveu a teoria do preço justo para cada mercadoria, numa tentativa de pôr fim ao lucro não produtivo.

Como conseqüência dos grandes descobrimentos geográficos e da aparição de fortes estados nacionais na Europa, os problemas políticos e econômicos começaram a vincular-se estreitamente, e governos e soberanos se interessaram cada vez mais pelo comércio internacional como principal via para o enriquecimento de suas nações. Surgiram com isso as teorias mercantilistas, que, por meio do protecionismo econômico, pretendiam aumentar o poder da própria nação à custa das rivais. As medidas que os mercantilistas sugeriam a seus governos, e que puseram em prática em várias ocasiões, consistiam basicamente na proibição da exportação de matérias-primas e no incentivo à exportação de bens manufaturados.

A primeira teoria econômica propriamente dita foi formulada pelos fisiocratas, que tiveram em François Quesnay seu principal representante e foram considerados por Karl Marx os verdadeiros criadores da economia política. Diferentemente dos mercantilistas, que consideravam o comércio e a indústria nascente como a principal origem da riqueza, os fisiocratas (fisiocracia = governo da natureza) sustentavam que a prosperidade e a riqueza nacional dependiam em última instância da agricultura, já que somente ela gerava nova riqueza, e que os demais bens econômicos se originavam da transformação de seus excedentes de forma mais ou menos direta.

Com o desenvolvimento da indústria, as idéias fisiocráticas cederam lugar a uma nova teoria econômica, desenvolvida principalmente na Grã-Bretanha do final do século XVIII até o princípio do século XIX, e que se conhece pelo nome de escola clássica. Seus principais representantes foram Adam Smith, David Ricardo e Thomas Robert Malthus.

Escola clássica. Com sua obra An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations (1776; Investigação sobre a natureza e causa da riqueza das nações), Adam Smith lançou os alicerces da moderna economia. Naquele livro, ele criticou e desacreditou as políticas protecionistas e alfandegárias do mercantilismo e defendeu a liberdade de comércio. Muitas de suas idéias foram sintetizadas, formalizadas e desenvolvidas por David Ricardo, parlamentar britânico que teve grande influência sobre a opinião pública e o governo de seu país, e descreveu pela primeira vez o conceito de modelo econômico como uma abstração simplificadora da realidade econômica.

O terceiro dos grandes clássicos britânicos foi Thomas Malthus, autor de An Essay on the Principle of Population (1798; Ensaio sobre o princípio da população), obra em que previu um crescimento aritmético da produção de alimentos e demais bens, e outro geométrico e, portanto, muito mais rápido, da população e de suas necessidades, o que deveria levar, ao cabo de gerações, à fome e à miséria generalizadas.

As principais contribuições da escola clássica à teoria econômica foram sua afirmação da identidade entre os interesses particulares dos indivíduos e o interesse geral da sociedade, assim como a teoria do valor-trabalho. A afirmação da identidade entre interesses particulares e gerais leva necessariamente a outra nova afirmação: uma vez assegurada a não-intervenção do estado e de grupos que interfiram na atividade econômica espontânea, o livre jogo da oferta e da procura tende necessariamente a produzir o equilíbrio econômico. A escola clássica lançou assim os alicerces do liberalismo, doutrina que teria poderosa influência nos séculos vindouros.

Em oposição aos fisiocratas, que, como se viu, consideravam que só a terra podia gerar um produto líquido, os clássicos britânicos defenderam a teoria do valor-trabalho, segundo a qual todo trabalho produtivo gerava um excedente econômico, ou seja, riqueza. Sendo o valor a quantidade de trabalho investida na produção de um bem, Ricardo chegou a afirmar que a terra não possuía influência alguma na determinação do valor e considerou o capital como cristalização do trabalho, isto é, uma reserva de trabalho anteriormente realizado.

Teoria econômica marxista. As primeiras fases da revolução industrial foram marcadas por excessos, descritos na literatura por romancistas como Charles Dickens. Homens, mulheres e crianças eram confinados em fábricas, minas e oficinas durante jornadas de trabalho de até 12 e 14 horas, em deploráveis condições sanitárias e de trabalho. Tal situação favoreceu o nascimento de uma corrente preocupada não só com o estudo da ciência econômica como tal, mas também com a transformação global da sociedade.

Partindo da teoria do valor, exposta por David Ricardo, Karl Marx, seu principal propugnador, postulou que o valor de um bem é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para sua produção. Segundo Marx, o lucro não se realiza por meio da troca de mercadorias, que se trocam geralmente por seu valor, mas sim em sua produção. Os trabalhadores não recebem o valor correspondente a seu trabalho, mas só o necessário para sua sobrevivência. Nascia assim o conceito da mais-valia, diferença entre o valor incorporado a um bem e a remuneração do trabalho que foi necessário para sua produção. Não é essa, porém, para Marx, a característica essencial do sistema capitalista, mas precisamente a apropriação privada dessa mais-valia. A partir dessas considerações, Marx elaborou sua crítica do capitalismo numa obra que transcendeu os limites da pura economia e se converteu numa reflexão geral sobre o homem, a sociedade e a história.

Marginalismo. Com exceção do marxismo, a partir de 1870 os economistas aos poucos deixaram de considerar a economia como uma disciplina eminentemente política e centraram sua reflexão no estudo da teoria e dos problemas práticos, deixando de lado qualquer outra incursão no terreno da ideologia. A teoria econômica seria seu campo específico e natural de trabalho, enquanto à economia política corresponderia a aplicação de suas análises e contribuições.

O marginalismo constitui a corrente teórica mais importante desse período. Sua principal característica foi o abandono da teoria clássica do valor-trabalho, substituída pelo conceito de utilidade. Segundo os marginalistas, o valor de um bem não depende em última análise da quantidade de trabalho a ele incorporado, mas sim da utilidade da última unidade produzida desse bem (utilidade marginal). As teorias marginalistas possibilitaram um conhecimento profundo das economias de livre mercado e constituíram o vínculo entre a escola clássica e a economia moderna.

As principais escolas marginalistas foram a de Viena, representada principalmente pelo austríaco Karl Menger; a de Lausanne, que teve como principais teóricos o francês Léon Walras e o italiano Vilfredo Pareto; e a de Cambridge, cujo fundador, o britânico Alfred Marshall, procurou conciliar as teorias clássicas e as marginalistas.

Keynes. A obra do britânico John Maynard Keynes representou a volta da economia política ao primeiro plano. A grande depressão de 1929 provocou, entre outras graves conseqüências, uma profunda crise do liberalismo econômico, tal como fora até então formulado, e das teorias econômicas das décadas anteriores. Isso constituiu o quadro propício para que Keynes desenvolvesse um pensamento econômico que influiu fortemente nas décadas seguintes.

Em seu livro The General Theory of Employment, Interest and Money (1935-1936; Teoria geral do emprego, do juro e da moeda), Keynes realizou um trabalho de crítica e síntese das anteriores escolas econômicas e afirmou que o equilíbrio a que tende a livre interação entre os diversos fatores econômicos não conduz ao pleno emprego dos meios de produção. Não é o aumento ou a queda dos salários que determina a maior ou menor ocupação da mão-de-obra, mas sim o nível de produção que os empresários tenham decidido alcançar. Quando existe um desequilíbrio entre a poupança e o investimento, pode haver também um desemprego involuntário e permanente dentro de um equilíbrio econômico não desejado. Essa situação é, no fundo, conseqüência de uma insuficiente comunicação entre os diversos agentes econômicos. Assim, Keynes atribuiu aos investimentos públicos e, em geral, à intervenção do estado na política econômica um papel de primeiro plano, que deveria possibilitar uma política de crescimento econômico e de pleno emprego e uma atuação eficaz contra os desajustes cíclicos do sistema.

Economia pós-keynesiana. Nas décadas que se seguiram à segunda guerra mundial, a teoria econômica, que continuou profundamente marcada pela obra de Keynes, passou por intensa evolução. Em primeiro lugar, generalizou-se de modo definitivo o recurso à matemática, que praticamente se insinuou em todos os ramos da economia. Anteriormente, alguns economistas tinham feito uso do cálculo diferencial e do cálculo integral, mas, com as tabelas de insumo-produto de Leontief, a teoria das matrizes converteu-se no método empírico privilegiado para reduzir as inter-relações entre indústrias e setores econômicos a um sistema flexível e coerente de equações simultâneas.

Ao lado da generalização do emprego da matemática, ganharam impulso os estudos econométricos e se atribuiu importância cada vez maior ao planejamento econômico, necessário em maior ou menor grau não só em cada um dos países, como também, e de modo crescente, para reduzir as grandes diferenças entre os países ricos e pobres. A atenção dada à economia regional e à urbana, à da saúde e à da educação, representa também uma manifestação da relevância da ciência econômica nas sociedades modernas.


 
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