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A ESPIONAGEM
Ninguém sabe, exatamente, quando o homem teve pela primeira vez o desejo de voar.
A atividade ligava-se diretamente à necessidade que as superpotências tinham de saber detalhes sobre as novas conquistas tecnológicas do adversário. As ações de espionagem da CIA e da KGB eram um termômetro das relações entre Estados Unidos e União Soviética. Ações desprovidas de conceitos como moral e ética, uma rotina que faz parte de uma história ainda muito mal contada.O programa analisa o desenvolvimento das agências de espionagem na segunda metade do século e o novo papel dos espiões depois do fim da Guerra Fria. Depoimentos do jornalista José Arbex Jr. e do historiador Jaime Pinsky.
Cena do filme "O Buraco da Agulha" Um dos temas mais freqüentes nas telas de cinema a partir da década de 60 é a espionagem. Cineastas americanos e europeus produziram aventuras, dramas e comédias com espiões dos mais diversos tipos. Quando o assunto é espionagem, a primeira coisa que geralmente nos vem à cabeça é a figura do superespião James Bond. "Moscou Contra 007" é o segundo filme da série baseada nos livros de Ian Fleming, ele mesmo um ex-agente britânico em Moscou, nos anos 50.
Os filmes de James Bond, feitos na Inglaterra, estão diretamente ligados ao período de tensão entre as superpotências, e dão uma idéia da importância do cinema no cenário da Guerra Fria. Mostram as aventuras de um sedutor espião ocidental em luta contra vilões aparentemente a serviço da União Soviética. Por mais que se fale em agentes americanos e soviéticos, curiosamente o espião mais célebre do cinema é britânico e está a serviço de Sua Majestade.
É verdade que, no mundo real, os serviços secretos europeus estiveram bem ativos durante o período da Guerra Fria. Mas as duas grandes forças da comunidade de informações eram mesmo a CIA e a KGB. E é sobre o mundo real da espionagem que vamos falar hoje. Um mundo desprovido de conceitos como moral e ética, em que para cada espião infiltrado num país estrangeiro existia um batalhão de funcionários públicos anônimos, encarregados de coletar dados na imprensa e tabular informações fornecidas por embaixadas e consulados. Uma rotina que fazia parte de uma história ainda muito mal contada.
Espionagem, ofício antigo
Foi durante a Guerra Fria que a espionagem adquiriu a importância que tem hoje. Mas não é uma atividade recente na história da humanidade. Entre os hititas, povo indo-europeu que há mais de 3 mil anos habitava a região onde hoje é a Turquia, já circulavam informes sobre os inimigos, escritos em pedaços de argila. O primeiro tratado conhecido sobre espionagem é do ano 510 antes de Cristo. Chama-se "Princípios da Guerra", e foi elaborado pelo estrategista chinês Sun-tzu. Mas foram necessários dois milênios até que os Estados investissem em agências de espionagem e informação.
Até o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, os poucos serviços secretos operavam de forma precária e amadorística. Na época, não havia uma agência desse tipo nos Estados Unidos. Na França e na Grã-Bretanha, os serviços secretos estavam paralisados por escândalos políticos. Na Rússia, as atividades de espionagem da era czarista desmoronavam sob os efeitos da guerra e da revolução comunista. E, entre os alemães, o serviço razoavelmente eficiente era desprezado pelos generais prussianos, mais interessados no poderio militar.
Alguns historiadores acreditam que, se as potências da época contassem com uma rede eficiente de informações, a Primeira Guerra poderia ter sido evitada. Ninguém esperava pelos desdobramentos dos conflitos nos Bálcãs, que culminaram numa guerra global até certo ponto involuntária.
Já na Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, o dirigente soviético Josef Stalin teria menosprezado uma importante informação de um de seus espiões, que fornecia exatamente o dia e a hora em que Adolf Hitler iniciaria a invasão da União Soviética. Stalin já havia condenado à morte seus mais respeitados estrategistas, entre 1938 e 1939. Assim, a ofensiva nazista, em junho de 41, apanhou os soviéticos de surpresa e sem seus melhores quadros militares.
Da mesma forma, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, não teria dado crédito às informações sobre um provável ataque do exército japonês à base americana de Pearl Harbor, no Havaí, em dezembro de 41.
Século XX: nova força à espionagem
Esses episódios, que poderiam ter sido evitados através de um sistema de informações, foram decisivos para os investimentos em serviços de espionagem. A formação de dois grandes blocos econômicos depois da Segunda Guerra, liderados por Estados Unidos e União Soviética, também foi um fator importante para o desenvolvimento da chamada comunidade de informações. Pela primeira vez na história, o planeta havia se tornado uma arena gigante, onde duas superpotências desafiavam-se mutuamente. Nesse novo cenário, os inimigos desenvolviam tecnologias de destruição cada vez mais poderosas, destrutivas, rápidas e eficazes.
Sem dúvida, forças tão formidáveis exigiam um balanço permanente e atualizado de ambos os lados. Cada superpotência precisava estar sempre por dentro das conquistas tecnológicas do adversário. Assim, chegamos ao ponto que nos interessa: o desenvolvimento das técnicas de espionagem no período da Guerra Fria.
Espionagem e revolução
Na União Soviética, as relações internacionais no início da Guerra Fria estimularam a modernização do serviço secreto, criado em 1917 durante o processo revolucionário. Na época, chamava-se Cheka, iniciais de "Comitê Contra Atos de Sabotagem e Contra-Revolução". Como Cheka, o serviço combateu as atividades internas contrárias à revolução comunista. Era o período de guerra civil, que se prolongou até 1921. Em 1922, ano da criação da União Soviética, passou a se chamar GPU, iniciais de "Administração Política do Estado". A GPU tornou-se a polícia política de um Estado já consolidado, e investiu contra os inimigos clandestinos do novo regime.
Nos anos 30, o serviço passou a atuar diretamente sob as ordens de Stalin e acabou rebatizado como NKVD, "Comissariado do Povo para Assuntos Internos". Foi um período de intensa perseguição aos adversários políticos do líder soviético, dentro do próprio partido comunista. Muitos deles foram torturados e executados.
O caso mais célebre é o do ex-chefe do Exército Vermelho, Leon Trotsky. Exilado no México, ele foi assassinado em 1940 por Ramon Mercader, um ativista espanhol supostamente instruído pelo NKVD. O atentado contra Trotsky foi uma das poucas ações internacionais atribuídas ao serviço secreto soviético, na época. Até o final da Segunda Guerra, as principais funções do NKVD relacionavam-se ao controle e à repressão dentro do próprio país.
Trotsky foi morto quando já estava exilado
Anos 50: surge a KGB
Com a divisão do mundo em blocos e o início da Guerra Fria, o sistema de informações soviético foi gradativamente ampliando sua presença em outros países. O ano de 1954 foi decisivo nesse processo. Logo após a morte de Stalin, em 53, o chefe da NKVD, Laurenti Beria, tentou tomar o poder. Acabou executado por ordem da cúpula do Partido Comunista, que reformulou toda a estrutura do serviço secreto. A KGB surgia, nesse cenário, com a missão de conciliar a manutenção do controle interno com uma ação mais efetiva fora do território soviético.
A situação era tensa na Europa. Forças da OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949, movimentavam-se nas bases militares instaladas nas fronteiras com a Europa Oriental. No bloco socialista, havia sinais de insatisfação popular na Alemanha Oriental, Hungria e Polônia.
Numa tentativa de unir os países do bloco e fazer frente à OTAN, Moscou tratou de criar, em 1955, o Pacto de Varsóvia. A KGB passou a operar dentro dos aparelhos de Estado e dos serviços secretos desses países, e também na imprensa e nas associações de trabalhadores. A central soviética de informação e espionagem tornou-se uma sombra onipresente em todas as instâncias da sociedade.
Tanque em Budapeste: ação da KGB Em meio a denúncias de assassinatos e de violação sistemática dos direitos humanos contra presos políticos, a KGB coordenou, em 1956, a invasão da Hungria pelos tanques do Pacto de Varsóvia. No mesmo ano, orientou a repressão de um movimento reformista na Polônia. A forte influência da KGB junto à cúpula do Pacto de Varsóvia foi decisiva para a iniciativa do governo da Alemanha Oriental de erguer o Muro de Berlim, em 1961.
"Podemos afirmar que a KGB era a própria alma do sistema soviético. é simples mostrar isso. No auge do império comunista, após a Segunda Guerra, a União Soviética era formada por 15 repúblicas que abrangiam um território de 22 milhões de km² , quase três vezes o tamanho do Brasil, e com uma população de mais de 200 milhões de habitantes. Essa população era composta por povos que falavam pelo menos 300 idiomas e professavam todas as grandes religiões conhecidas. Apesar dessa tremenda diversidade cultural, e das diferenças econômicas e históricas, só havia um partido político legalizado: o Partido Comunista. É claro que a ditadura de partido único só podia se manter às custas da mais feroz repressão. Sem a KGB, não existiria a União Soviética."
José Arbex Jr.
jornalista
A Segunda Guerra e a espionagem dos EUA
No lado norte-americano também houve um crescimento formidável dos serviços secretos. Durante a Segunda Guerra o governo criou a OSS, sigla em inglês de "Divisão de Serviços Estratégicos". Foi a primeira tentativa de centralizar um serviço de espionagem e informações. Mesmo assim, o Exército, a Marinha, a Força Aérea e o Departamento de Defesa mantiveram seus próprios esquemas de informação. Depois da guerra, havia nos Estados Unidos um consenso de que era mesmo necessário reunir todos esses serviços. Faltava apenas decidir até que ponto a centralização aconteceria, e qual o nível do poder dessa nova agência de espionagem. O acordo entre os diversos setores interessados foi fechado em setembro de 1947, ano em que surgiu a CIA, sigla em inglês de "Agência Central de Inteligência".
CIA e FBI
A CIA, no início, funcionava em coordenação com o Departamento de Defesa e com o Conselho de Segurança Nacional. Criou-se a noção de uma comunidade de informações, da qual a CIA tornou-se a principal expoente. Em pouco tempo a agência tinha um quadro de milhares de funcionários, a um custo anual de 5 bilhões de dólares. Na mesma época, o FBI, Birô Federal de Investigação, a polícia federal dos Estados Unidos, marcava presença em ações inspiradas pelo clima de "caça às bruxas" desencadeado pelos setores conservadores da política americana. Esse clima agravou-se em 1949, com o julgamento e condenação do ex-funcionário do Departamento de Defesa Alger Hiss, acusado de fornecer segredos de Estado aos soviéticos.
Em 1950 foi anunciada a prisão do físico inglês Klaus Fuchs, um dos principais pesquisadores de energia atômica do laboratório americano de Los Alamos. O FBI descobriu o envolvimento de Fuchs com o Partido Comunista e com o vazamento de informações confidenciais para Moscou. O caso foi considerado da mais extrema gravidade pelo governo dos Estados Unidos.
Ethel Rosenberg: culpa jamais comprovada Em julho de 50, o FBI prendeu o engenheiro elétrico Julius Rosenberg e sua mulher, Ethel, suspeitos de participação no "esquema Fuchs". Mesmo alegando inocência até o fim, e apesar de inúmeros apelos em sua defesa, o casal foi condenado à morte e executado em junho de 53. A culpa do casal Rosenberg jamais seria comprovada.
Ainda nos anos 50, o FBI deu suporte técnico à histeria anticomunista deflagrada pelo macartismo, que atingiu em cheio os principais setores culturais dos Estados Unidos. Inúmeros escritores, produtores e artistas foram banidos da vida cultural americana. Enquanto o FBI cuidava exclusivamente de assuntos internos dos Estados Unidos, a CIA desenvolvia ações no exterior, coletando informações sobre diversos países, aliados ou não, e realizando atividades de contra-espionagem. Criou também um departamento para operações secretas e trabalhos de guerra psicológica mundo afora.
A CIA e as ações internacionais
Em 1953, agentes da CIA envolveram-se na deposição do primeiro-ministro nacionalista iraniano Mohamed Moussadegh. O premiê havia nacionalizado a companhia anglo-americana de petróleo e estava em franca oposição ao xá Reza Pahlevi, simpático aos Estados Unidos. Com a queda de Moussadegh, o xá implantaria uma das mais sangrentas ditaduras militares do planeta. Em 1954, a CIA estava presente na Guatemala. Patrocinou um golpe para derrubar o presidente Jacobo Arbenz, autor de um ambicioso programa de reforma agrária e responsável pela expropriação da companhia americana United Fruit. Com o auxílio da ditadura de Anastasio Somoza, da vizinha Nicarágua, a CIA armou alguns generais rebeldes, que depuseram Arbenz e instauraram uma ditadura que duraria quatro décadas.
Powers: espião apanhado em flagrante Em maio de 1960, a defesa soviética derrubou em seu espaço aéreo um avião americano U-2. Os Estados Unidos tentaram negar a ação de espionagem, mas foram confrontados com a apresentação do próprio piloto, Gary Powers, capturado no incidente. Foi o primeiro episódio envolvendo o U-2, um avião de espionagem capaz de captar imagens de pequenos objetos na superfície da Terra, mesmo voando em grandes altitudes.
Gary Powers foi libertado numa troca de prisioneiros, uma das práticas mais obscuras da Guerra Fria. Nas negociações para a troca de espiões, era comum o uso de chantagens e de agentes duplos. Apesar disso, um bom negócio para os dois lados, que recuperavam agentes bem informados e o dinheiro investido em seu treinamento.
A CIA em Cuba
Outro caso envolvendo a "mão negra" da agência americana aconteceu em abril de 1961. O governo de Washington, preocupado com uma possível disseminação do movimento revolucionário de Fidel Castro, acionou a CIA para uma ação em Cuba. A agência treinou e forneceu armas a 1.500 cubanos exilados em Miami. A invasão da Baía dos Porcos, para a derrubada de Fidel, terminou em fracasso e provocou desgaste na imagem do presidente John Kennedy. Além disso, setores expressivos da opinião pública ficaram surpresos com o nível de interferência da CIA em outros países. A tensão aumentou ainda mais em 62, com a crise dos mísseis de Cuba. Pilotos de aviões tipo U-2 americanos detectaram nas proximidades de Cuba movimentos que indicavam a intenção dos soviéticos de instalar bases nucleares em território cubano. Os soviéticos desistiram da idéia, mas por duas semanas deixaram o mundo na expectativa de um confronto nuclear entre as superpotências.
A América Latina
Ainda nos anos 60, a CIA participou de diversos golpes de Estado na América Latina, inclusive o de março de 64, que implantou uma longa ditadura militar no Brasil. Enquanto isso, nos Estados Unidos o FBI fazia escuta telefônica clandestina para chantagear artistas como a atriz Jane Fonda, contrária à guerra do Vietnã, e líderes do movimento negro, como Malcolm X e Martin Luther King.
Em 1970, a CIA não conseguiu impedir no Chile a posse do presidente eleito, o socialista Salvador Allende. Três anos depois, a agência americana articulou o golpe militar do general Augusto Pinochet, que resultou na morte de Allende e no surgimento de uma feroz ditadura.
Pinochet (centro): colaboração da CIA "A Guerra Fria provoca, em diferentes lugares do mundo, e também na América Latina, uma série de ações através de um dos braços americanos mais importantes, a CIA. Esse braço se manifesta de uma forma nítida em vários países, como a Guatemala, o Uruguai, a Argentina, o Chile e o Brasil. Todos nós sabemos da influência direta da CIA na derrubada de Salvador Allende e na subida de Augusto Pinochet como sangrento ditador do
Chile durante muitos anos.
No Brasil, a presença do serviço secreto americano pode ser percebida em alguns momentos e, mais particularmente, em 1964. Mas atribuir-se à CIA todo o movimento de 64 e o próprio golpe militar é um exagero evidentemente inaceitável. Entretanto, não há dúvida de que a CIA realizou a sua tarefa dentro do Brasil, de apoio a determinados setores de direita e de solapamento do próprio governo de Jango."
Jaime Pinsky
historiador
Desprestígio aqui, autonomia ali
Em 1972, agentes especiais da CIA, à procura de informações sobre a estratégia eleitoral do Partido Democrata, fizeram escuta clandestina na sede do comitê nacional do partido, no edifício Watergate, em Washington. O episódio gerou um grande escândalo e o presidente Richard Nixon, reeleito pelo Partido Republicano, acabou renunciando em 1974, ameaçado de impeachment. Cinco anos depois, em 1977, o presidente Jimmy Carter tentaria refrear as atividades clandestinas da CIA, numa reação tardia ao escândalo de Watergate.
A CIA voltou a ganhar prestígio e autonomia nos anos 80, com a eleição do presidente conservador Ronald Reagan. Ele achava que a agência estava enfraquecida e que isso colocava em risco a segurança nacional dos Estados Unidos. Como exemplos, Reagan citava a inoperância da CIA no processo que resultou na revolução dos aiatolás, no Irã, e o fracasso da tentativa de libertação dos reféns americanos presos na embaixada dos Estados Unidos na capital iraniana, Teerã. Os reféns, por sinal, foram soltos logo após a eleição de Reagan, o que fez muita gente suspeitar de um acordo secreto com os xiitas do Irã para desgastar o presidente Jimmy Carter, candidato à reeleição.
O fato é que a CIA voltou a operar com a plenitude dos velhos tempos, o que acabaria gerando escândalos e problemas para o presidente Reagan. Ao assumir a presidência, Ronald Reagan nomeou o amigo William Casey para a direção da CIA e lhe deu carta branca para agir. Casey retomou os atos de sabotagem no exterior, incluindo a colocação de minas explosivas em portos civis da Nicarágua, governada pelo regime socialista da Frente Sandinista de Libertação Nacional.
Casey: mais poderes para a CIA
Reagan, CIA e o escândalo "Irã-Contras"
O novo "período de ouro" da CIA foi até 1986, quando estourou o escândalo Irã-Contras, o "Irangate". Desafiando as leis e o próprio Congresso americano, a agência envolveu-se em negociações para a venda de armas ao Irã. Em troca, os iranianos deveriam interceder pela libertação de cidadãos norte-americanos presos no Líbano. Parte do dinheiro da venda das armas foi depositada pelos iranianos em contas bancárias da Suíça controladas pelos rebeldes da Nicarágua, os contras, que lutavam para derrubar o governo sandinista.
Oliver North: venda ilegal de armas O escândalo provocou o afastamento de vários assessores do governo americano, entre eles o tenente-coronel Oliver North, apontado como o principal responsável pela operação. A opinião pública dos Estados Unidos ficou chocada ao conhecer o lado terrorista da comunidade de informações de seu próprio país.
URSS, KGB e truculência
Do lado soviético também ocorreu um episódio dramático nos anos 80. Em setembro de 1983, um avião de passageiros da Korean Air Lines foi derrubado ao invadir o espaço aéreo soviético e ignorar as advertências das autoridades do país. No incidente, morreram os 269 ocupantes do Boeing. O episódio permanece obscuro até hoje. Não são conhecidas as razões do vôo irregular do avião, e por que seu comandante ignorou os avisos da força aérea russa. Segundo a versão de alguns especialistas, tratava-se mesmo de uma ação de espionagem. Os passageiros civis teriam servido como escudo dos espiões, que não acreditavam na derrubada da aeronave.
Escândalos como o caso Irã-Contras e incidentes graves como a derrubada do Boeing coreano ocorreram já nos anos finais da Guerra Fria, e contribuíram para arrefecer os ânimos das principais agências de espionagem. A KGB, vale dizer, foi formalmente extinta em outubro de 1991.
Anos 90: outra vertente da espionagem
Com o desmantelamento dos dois blocos econômicos e o fim das tensões entre as superpotências, as atividades de espionagem mudaram completamente sua natureza. Hoje, estão voltadas para as disputas comerciais e financeiras entre os grandes conglomerados capitalistas e para o combate ao crime organizado.
Mas as histórias de espionagem da Guerra Fria continuarão a exercer um grande fascínio, porque lidam com o lado obscuro dos fatos e levantam muitas hipóteses e dúvidas sobre questões para as quais, provavelmente, nunca teremos respostas.
Fonte: alo escola, tvcultura.
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