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COMPUTADORES Tempos atrás, quando alguém precisava fazer uma pesquisa, ia à biblioteca, encontrava dez títulos sobre o assunto e os lia; hoje aperta um botão do computador, recebe uma lista com 10 mil títulos e desiste (ou, então, se for esperto, joga a lista fora e volta para a biblioteca). Um outro exemplo. Compro sempre revistas sobre computadores nos aeroportos porque são variadas e boas para folhear no avião. No número de julho da PCWorld, encontrei 80 – isso mesmo, 80 – conselhos para jogar fora uma grande quantidade de coisas que o programa Windows 3.1 sabe fazer, mas que jamais servirão para a maioria dos usuários e que ocupam um espaço de memória enorme, diminuindo a velocidade de execução de outros programas. Algumas instruções são fáceis de executar, outras requerem atenção e muito trabalho, e corre-se o risco de cometer erros irremediáveis, mas é verdade que, no final, mesmo escolhendo só algumas dezenas de conselhos, o programa se torna mais ágil. Fiz a experiência e descobri que o Windows não só é capaz de fazer coisas que eu nem imaginava e que não me interessam absolutamente, mas que, na sua generosidade, descarrega sobre os nossos computadores uma infinidade de instruções que existe também em DOS, e que é possível optar por manter só aquelas já contidas no diretório escolhido pelo Autoexe.bat (falo para entendidos). A história me parece alegoricamente exemplar. Gastamos dinheiro para comprar um programa riquíssimo de informações e, então, gastamos dinheiro para comprar uma revista que nos ensina como jogá-las fora (e mais dinheiro será gasto para conseguir jogar for de modo apropriado). É maravilhoso ter tanta informação a nossa disposição, mas disso decorre a necessidade de aprender a selecionar, a não nos deixar dominar por ela. Antes de mais nada, é preciso aprender a usar a informação,e, em seguida, a usá-la com moderação. Este é, com certeza, um dos problemas educacionais para o século XXI. A arte de discernir se tornará um ramo da filosofia teórica e moral  
 
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