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O MEC está propondo substituir os vestibulares do país por um novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), constituído de uma redação e quatro provas de múltipla escolha, à semelhança do que ocorre nos EUA, com a prova do SAT (Scholastic Assesment Test).
Esta proposta apresenta várias vantagens para os alunos e para as próprias [...]
O MEC está propondo substituir os vestibulares do país por um novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), constituído de uma redação e quatro provas de múltipla escolha, à semelhança do que ocorre nos EUA, com a prova do SAT (Scholastic Assesment Test).
Esta proposta apresenta várias vantagens para os alunos e para as próprias universidades, mas é também uma excelente oportunidade para que se corrijam as duas principais distorções do atual Enem. A primeira delas é a redação representar 50% da nota do Enem, o que concede valor excessivo a uma única disciplina em detrimento das outras.
E a segunda é o caráter subjetivo de sua correção. No exame SAT, que é feito anualmente por 2 milhões de estudantes, a nota é composta por três partes iguais: leitura crítica, matemática e escrita. Cada uma delas tem peso igual e não há qualquer subjetividade na pontuação, mesmo na parte escrita, que é composta de questões objetivas e de uma redação.
A nota da redação, que varia de 1 a 6, depende de critérios bem específicos, não influi na nota final do SAT e pode ser utilizada pelas instituições para colocar o aluno em aulas de reforço. É uma grande diferença e devemos nos perguntar porque ela existe. Na redação do Enem atual, cinco competências são avaliadas e podem ter notas de 0 a 10. Os problemas residem na falta de uniformidade na correção, que é feita em diversas partes do país e por diferentes examinadores, bem como na ausência da possibilidade de revisão da prova.
O aluno não pode ver sua prova e só tem acesso às notas de cada competência, não tendo direito de discordar e de solicitar revisão. Caso o peso dessa nota fosse reduzido, essa questão teria menor importância, mas como ela representa metade da nota e reveste-se de caráter subjetivo, é preciso garantir que ela tenha o grau mais correto possível. Por último e não menos importante, em vez de aferir apenas a qualidade do texto e a capacidade de o aluno expressar bem seus pontos-de-vista, a redação do Enem tem se constituído num teste ideológico, mais apropriado à seleção de militantes partidários.
Ao colocar os estudantes de 16 a 18 anos diante de questões políticas intrincadas para as quais eles devem “apontar soluções”, abre-se um espaço indevido para que o examinador premie com melhores notas os alunos que se alinhem à corrente de pensamento por ele defendida. Para evitar esse tipo de comportamento, difícil de identificar e de coibir, o ideal seria que os temas da redação do Enem fossem neutros. Isso continuaria a permitir que o objetivo principal da prova do Enem fosse cumprido, que é a seleção dos candidatos mais aptos para entrar no ensino superior, e tornaria o exame mais justo.
Por: O Globo Online
Publicado em: 2009-03-27 02:00:45 |