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Pan-Africanismo e Negritude em "Sangue Negro" Imprimir E-mail


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ImageCapítulo 0 0. Introdução No período colonial, o discurso literário estava centralizado na relação entre o colonizador e o colonizado e por essa razão era muito censurada pelo governo português porque visava atacar os seus actos opressivos daí que algumas obras não eram publicadas e as que fossem publicadas eram queimadas pela PIDE. Depois da independência nacional a literatura não era censurada pelo governo português pois este já não governava Moçambique mas passou a ser censurada pelo governo moçambicano. Este momento fez com que houvesse liberdade na produção literária dos moçambicanos o que resultou na publicação dos trabalhos que estavam guardados nas gavetas pelos escritores que os tinham escondidos por temerem represálias. Deste modo, à excepção de alguns criadores fecundos da velha guarda, mesmo sob influxo do realismo social, certos poetas que dominavam a cena literária da época haviam abandonado o país e outras vozes tinham despontado a maior parte da poesia que se fazia era de uma previsibilidade confrangedora e de qualidade duvidosa. De entre as várias temáticas publicadas na época fala-se da exaltação patriótica, culto dos heróis da luta de libertação nacional e de temas marcadamente doutrinários, militantes ou empenhados, no tempo da independência. Portanto, duas das obras publicadas neste período serão analisadas neste trabalho. Trata-se da obra de Ungulani Ba Ka Khosa, da mesma geração de White, consagrou-se com Ualalapi (1987), obra que será analisada neste trabalho, escolhido recentemente como um dos 100 melhores livros africanos. Em 1994, esse livro já havia recebido o prémio nacional de ficção e, em 1990, o grande prémio da ficção narrativa. Ualalapi é, na realidade, considerado um livro emblemático, de narrativa metafórica, com força de avalanche, construída sobre base histórica: a saga guerreira do império de Manjacaze mistura-se à do colonizador, e a feitiçaria é descrita em grau superlativo. A outra obra é Yô Mabalane! de Albino Magaia que retrata um acontecimento real datado de 09 de Maio de 1965, data em que alguns refugiados moçambicanos na Suazilândia foram raptados pela PIDE e foram parar no Distrito de Mabalane em Gaza Este livro, refere-se a um regime colonial e fascista detentor de poderes políticos, administrativos e económicos e apoiado por bem apetrechadas forças de defesa e segurança onde desponta a sanguinária e tenebrosa Polícia política, a PIDE, bem caracterizada por Albino Magaia na mesma obra que se considera de grande qualidade literária. 0.1. Objectivos: 0.1.1. Objectivos gerais: - Conhecer a relação existente entre as duas obras do ponto de vista da ficção; 0.1.2. Objectivos específicos: - Encontrar e analisar as marcas de expressão nacionalista existentes em YÔ MABALANE! e UALALAPI; - Estabelecer uma relação sob ponto de vista da expressão nacionalista entre as obras acima citadas. 0.2. Metodologia Como se sabe, a elaboração de qualquer trabalho científico pressupõe a obediência de certas regras e métodos, neste caso alguns dos métodos usados para a elaboração deste trabalho são: 0.2.1. Consultas bibliográficas É um método que consiste em pôr o pesquisador a obter conhecimento procurando encontrar informações publicadas em livros e documentos. Assim, consultar-se-ão algumas fontes bibliográficas e outros documentos importantes sobre o tema do trabalho de modo a recolher informações necessárias para a realização do trabalho. 0.2.2. Método de procedimento Este método compreende as etapas mais concretas de investigação com a finalidade mais restrita em termos de explicação geral do fenómeno, passos esses que são imprescindíveis na execução de qualquer pesquisa, desde a colheita de dados até à apresentação da pesquisa. 0.3. Motivação Depois de termos ficado a saber um poucos mais sobre a produção literária no período colonial, urge-nos a necessidade de obter informações sobre a mesma produção mas no período colonial. Ademais, com o presente trabalho, pretendemos fazer uma abordagem mais profunda e evidente que sirva de análise no estudo de textos literários, sobretudo da literatura moçambicana. 0.4. Hipóteses Se as duas obras foram escritas por moçambicanos que na altura que as escreveram residiam em Moçambique, então existe uma relação entre elas. Se as duas obras foram publicadas no mesmo período literário, então contêm aspectos comuns dado que o contexto social e ideológico é o mesmo. Capítulo I 1.0. Vida e Obra dos Autores 1.1. Vida e Obra de Albino Magaia Albino Magaia, de nome completo Albino Fragoso Francisco Magaia, nasceu em Lourenço Marques aos 27 de Fevereiro de 1947 é um jornalista, poeta e escritor moçambicano. Na sua juventude, foi membro do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM). Magaia é Militante da Frelimo (Frente de Liberação de Moçambique), jornalista e director da revista Tempo. Poeta (Assim no tempo derrubado, 1982) e romancista (Yô Mabalane !, 1983 ; Malungate, 1987), Ele escreveu igualmente um livro sobre a imprensa em Moçambique (1994). YÔ MABALANE! teve a sua primeira edição em 1983 e a segunda em 1988, e que é também uma narrativa metafórica da vanidade e espera, da frustração. Refere-se a um regime colonial e fascista detentor de poderes políticos, administrativos e económicos e apoiado por bem apetrechadas forças de defesa e segurança onde desponta a sanguinária e tenebrosa Polícia política a PIDE bem caracterizada por Albino Magaia na sua obra em estudo, uma obra de grande qualidade literária. 1.2. Vida e Obra de Ungulani Ba ka Kosa Ungulani Ba ka Kosa é nome tsonga de Francisco Esaú Cossa, que nasceu em Inhaminga, Sofala, Moçambique em 1957. Entre 1957 e 1968 vagueou pelas terras de Sofala e Manica, frequentou várias escolas e travou amizades que se perderam com o tempo. Em 1968 embarcou no paquete «império» com destino a Lourenço Marques, trigo de Morais, Banhine e Panda. Em 1972 fixa-se no Gúrue, Zambézia. Em 1974 encontra-se em Quelimane. Em 1977 reside em Maputo. Em 1978 parte para Niassa onde trabalha como professor. Em 1980 encontra-se em Maputo. Inicia a sua actividade literária no «Diário de Moçambique» em 1982. Colaborou na revista «Tempo» e é membro da revista literária «Charrua», da qual é co-fundador. Frequentou os estudos superiores em História e Geografia, e foi professor do ensino secundário, jornalista, autor de argumentos cinematográficos, responsável pelo Instituto Nacional de Cinema. O seu romance UALALAPI (1987), que é sua estreia em livro e cujo significado em algumas línguas locais de Moçambique é, aquele que dorme, ganhou em Moçambique, os prémios Gazeta de Ficção (1990) e Nacional de Ficção (94). Capítulo II 2.0. Pressupostos Teóricos Expressão é a manifestação por palavras, gestos, sentimentos ou pensamentos, é o acto ou efeito de expressar, é a manifestação de pensamento por meio da palavra ou do gesto; é a ênfase ou entoação especial com que se pronuncia uma palavra ou frase dicionário houasis da língua portuguesa”. Nacionalismo salvaguarda dos interesses e exaltação dos valores nacionais. Sentimento de pertença a um grupo por vínculos raciais, linguísticos e históricos que reivindica o direito de formar uma nação autónoma, ideológica que enaltece o estado nacional como forma ideal de organização politica com as suas exigências absolutas de lealdade por parte dos cidadãos. É, também, a preferência pelo que é próprio da nação a que se pertence, exaltação das suas características e de valores tradicionais, a qual em geral se associam a xenofobia e ou a racismo, alem de uma vontade de isolamento económico e cultural. A partir do século XIX, o movimento estético e politico que preconiza a utilização de elemento da tradução oral de uma cultura em composição, exaltação do sentimento nacional. O Dicionário Enciclopédico (1992) define o nacionalismo como exaltação do que é próprio da nação a que se pertence. Segundo o Dicionário da língua portuguesa contemporânea: academia das ciências de Lisboa (2001) nacionalismo é a preferência por tudo o que é relativo à nação, por tudo o que é nacional ou patriótico. Capítulo III 3.0. Análise da Expressão Nacionalista nas Obras YÔ MABALANE! e UALALAPI A obra YÔ MABALANE!, e um romance que oscila entre o real e o imaginário, o que faz transcender os limites circunstanciados dos acontecimentos únicos, singulares e colocar se a um nível em que e veiculo de muitas significações. É uma realidade que testemunha um período histórico contraditório no território africano em geral e particularmente em Moçambique. Já o romance UALALAPI, é uma ficção narrativa que também oscila entre o real e o imaginário, mas contém mais característica da ficcionalidade, sendo por isso considerada ficção narrativa, que se dedica exclusivamente ao passado colonial de Moçambique. YÔ MABALANE! é composto por oito partes, de entre as quais a EVACUAÇÃO, tida como o primeiro capítulo que retrata o ambiente de ansiedade e de alegria vivido pelos moçambicanos no momento de partida a Dar-es-Salaam. BEM VINDO RAPAZES, que representa a ironia dos policias em relação aos moçambicanos depois de terem raptado a caravana que saia da Suazilândia. SE ME OLHARES, MATO-TE, que se refere à elocução feroz do guarda prisional mediante olhares insistentes de um prisioneiro moçambicano. Segue-se a este, o episódio DOCE ESPERANÇA, que dá conta da ansiedade dos prisioneiros à desejada liberdade. SE AS VOSSAS MULHERES NÃO CALAM, que critica no seu todo a ameaça dos guardas prisionais como forma de intimidar e amedrontar os moçambicanos mantidos em cativeiros. Em seguida tem como o episodio mais penoso e triste do romance, YÔ MABALANE!, que e o conto da A MENINA DE CINCO OLHOS, que por sua vez, refere-se ao instrumento de opressão utilizado pelos guardas prisionais. Posto isto encontra-se o episódio, WA SALA WA SALA, que representa a luta em prol da liberdade que dependia de todos. Além disso é uma das marcas da valorização das línguas nacionais dado que significa quem ficar ficou, podendo por isso considerar-se uma expressão nacionalista. Finalmente tem-se o episódio O LEÃO NÃO COSPE, que represente uma metáfora que exprime a irreversibilidade das acções desumanas dos colonos em não conceder a liberdade aos moçambicanos cativos em Mabalane. No que diz respeito à obra UALALAPI, esta é composta por seis contos, sendo o primeiro com o título da obra UALALAPI, que representa a colonização étnica e dá título à própria obra na qual demonstra ou relata um episódio crítico do romance UALALAPI, em que um guerreiro tsonga de nome Mafemane é assassinado por um guerreiro da tribo nguni de nome Ualalapi, que entra em harmonia com a temática da obra que é a colonização étnica e Ngungunhane guerreiro nguni torna-se o imperador do império de Gaza, após a morte do seu pai Muzila. Segue-se o episódio A MORTE DE MPUTA, como diz o próprio titulo, o conto retrata a morte de um dos guerreiros nguni de nome Mputa, que morreu inocentemente por ter sido acusado de proferir palavras injuriosas à rainha, inconsikazi, mulher primeira de Ngungunhane, em línguas locais de Moçambique, sendo uma expressão nacionalista que o narrador mostra. A seguir temos o episódio DAMBOIA, onde nos é apresentada DAMBOIA que era a irmã mais nova do pai de Ngungunhane, e como tal, pertencia à corte real e obrigava os homens a praticarem actos sexuais com ela, caso recusassem matava-os. E como forma de penalização por essas práticas, teve uma menstruação que durou quase três meses, e que só ficou em repouso nas últimas duas quintas-feiras dos últimos meses e acabando por morrer. Segue-se, no entanto, o episódio O CERCO OU FRAGMENTO DE UM CERCO, no qual o decurso da luta entre os povos nguni e os Machopes, em que estes nguni faziam um cerco em que não permitiam nenhum movimento dos Machopes e que estes não podiam sair do cerco dos nguni, estava tudo controlado, consta que ninguém saiu do cerco vivo. O DIÁRIO DE MANUA, Manua, filho de Ngungunhane, esteve a estudar em Portugal, e tornou-se assimilado e ao regresso das terras lusas comeu peixe e bebeu muito vinho no navio durante a viajem contrariando os hábitos da sua tribo. Deste modo, Manua como castigo por estes actos encheu o navio de vómitos, e por fim morreu por ter transgredido os costumes da tribo O ÚLTIMO DISCURSO DE NGUNGUNHANE Trata-se de uma antevisão do que aconteceria com o povo do seu império, após a sua extradição a Portugal, proferindo um discurso ou profecia que se projecta na actualidade prevendo os males do colonialismo, a guerra pela independência e a guerra civil pós-independência, e depois do seu discurso embarca rumo a Portugal, onde veio a falecer. UALALAPI fala da colonização étnica na qual a tribo nguni vence e coloniza os tsonga e domina-os durante um vasto período. Enquanto isso em YÔ MABALANE! tem como ponto central a opressão dos moçambicanos que eram feitos reféns, ou refugiados na Suazilândia, tendo, posteriormente, sido deportados para Mabalane, onde ficaram presos e oprimidos durante muito tempo. Em YÔ MABALANE! tanto como em UALALAPI, vimos que as duas obras procuram exaltar o sacrifício do povo moçambicano na luta pela liberdade no período colonial e da colonização étnica sobre o povo moçambicano. Como ilustra o excerto seguinte de YÔ MABALANE!: “... pacientemente começam a desfazer os difíceis nós metálicos de arame. Através da fresta passam mãos habilidosas” (pág.24). Este excerto mostra a coragem dos prisioneiros moçambicanos que mesmo desesperados teimavam em abrir a porta do vagão do comboio em que viajavam forçosamente para alcançar a liberdade. Também em UALALAPI pode-se encontrar a mesma coragem em na personagem Mafemane, guerreiro da tribo tsonga, que entrega a sua vida em nome da sua tribo. “...estou preparado para morrer. Mas peço-vos que me deixes despedir das minhas mulheres e dos meus filhos. Vinde ao cair do dia... pensei que não viessem, disse Mafemane, percorrendo-os com olhar, um olhar penetrante e incisivo. Não era necessário tanta gente, bastavam dois. Mas estou pronto. Podeis matar-me.” (Pág.25). Como se disse anteriormente, as duas obras procuram exaltar o sacrifício do povo moçambicano na luta pela liberdade no período durante a colonização seja ela portuguesa ou etnias moçambicanas como as descritas em UALALAPI. Pensa-se que o que terá originado estas duas obras em análise é a necessidade de liberdade que resultou na luta de libertação nacional empreendida pelos moçambicanos e a chamada de atenção para a unidade entre o povo moçambicano de modo que haja colonização entre filhos da mesma pátria, dado que estes são forjadores da moçambicanidade. Em YÔ MABALANE! encontra-se o uso frequente da terceira pessoa gramatical, sendo por isso uma obra com predominância da função informativa, o que se pode confirmar no excerto seguinte em YÔ MABALANE! : “...viram as algemas tomarem lugares dos sorrisos...viram as baionetas brilharem, raivosas... "( pág. 21) O mesmo acontece em UALALAPI, podendo confirmar-se a seguir: “…o sol não queimara ainda o orvalho quando Manhune e os guerreiros a seu mando se aproximaram da aldeia de Mafemane, pondo-se a escuta de sinais de partida. Mas o silêncio, o mesmo silêncio que a todos tocava naqueles dias de luto cobria a palhotas de Mafemane e dos seus homens e mulheres” (pag.24). Estão patentes em YÔ MABALANE! a comparação quando se faz alusão aos sonhos e redemoinhos, em que estes sonhos passam a não ser concretizados, são desfeitos como acontece com o moinho de vento,. De acordo com os excertos seguintes:"...viram sonhos desfazerem-se como redemoinhos..." (pág. 21) . O narrador usa a anáfora como forma de descrever os acontecimentos e exaltar os seus sentimentos e dar mais ênfase a sua dor como se vivesse os factos que descreve. "...viram as algemas tomarem lugares dos sorrisos...viram as baionetas brilharem, raivosas..."( pág.21). Ainda neste contexto o narrador faz o uso do animismo como forma de reforçar a ideia que pretendia transmitir ao seu desejo de matar o seu próximo e como tal exalta o sofrimento pelo qual os moçambicanos estavam submetidos as baionetas que eram afiados com o propósito de atingir ou perfurar os corações dos moçambicanos, como ilustra o excerto seguinte: " viram as baionetas brilharem raivosas..." (pág.21). E como forma de voltar a transmitir estes sentimentos o narrador procura dar mais realce demonstrando a dor e fadiga que se manifestam durante o dia, um dia de muito sacrifício enfrentado pelo povo moçambicano que era a continuação de muitos outros de muita tragédia. "... O sol nasceu com algemas..." onde usa o animismo como forma de reforçar o sentimento de desespero, na medida em que o sol ia nascendo era mais um dia de sofrimento em que a sorte dos moçambicanos estava entregue aos opressores, como ilustra a passagem textual que se segue "...mas o ténue sabor de liberdade que haviam experimentado desmoronaram-se como redemoinho cansado porque Mbabane, a terra de exílio ficara longe e, mais longe ficara Dar-es-Salaam: era menos que uma miragem..." (pág.21). Verifica-se o uso de sociolectos como forma de demonstrar a exaltação do nacionalismo patente na mente dos moçambicanos, e também como forma de demonstração do amor a pátria que unia a todos os moçambicanos na luta pela mesma causa, que converge pela denúncia dos maus tratos em que se usa uma linguagem da clandestinidade com propósito de desviar a atenção dos colonialistas. Visto nos excertos seguintes: “... Maputukezi (3)/Mukani makaya kawyna...” (pág.22). Ainda no mesmo contexto, o narrador usa a personificação para realçar a forma como a pátria lhe ouvia e consolava nos momentos difíceis, pátria esta representada pela savana, “...foi neste momento que os presos voltaram a ouvir a voz da savana. Não falou. Não cantou canções de embalar. Tinha voz rouca. Mas chorava...” (pág.33). No entanto, mais em diante encontra-se a assindética para dar mais azo à expressão de sentimentos patrióticos, na medida em que enumera as acções, ira dar mais entrega a sua alma em defesa da vida dos seus irmãos moçambicanos, de acordo com o excerto seguinte: "...bate, agente, bate… (pág.39). A metáfora é outra figura usada para fazer uma comparação e para valorizar a figura da mulher moçambicana, como forma ou estratégia de expandir o seu valor na sua plenitude, tendo em conta a sua beleza e como de expressão dão nacionalismo em volta de uma causa única pela qual unem a todos os moçambicanos. "...A mulher é flor...É fonte de vida, É montanha, É génese...". (pág. 47). Na obra UALALAPI encontra-se a aliteração que o narrador usa para criar um jogo de palavras e como forma de dar mais azo à expressividade recorrendo a este ludismo para engrandecer as acções em volta dos acontecimentos...Ahn! _suspirou, sorrindo...” (pág.26). O exagero é outra figura que o narrador usa para mostrar o castigo pelo qual passavam os que violavam os hábitos e costumes da sua tribo. “... Damboia, irmã mais nova de Muzila, morreu de uma menstruação que nunca acabava ao ficar três meses com as coxas toldadas de sangue viscose e cheiroso que saia em jorros contínuos, impedindo-a de se movimentar para além do átrio da sua casa que ficava a uns metros do imperador...” (pág.41). Na mesma obra encontra-se a interrogação como forma de destacar as ideais expressas no discurso. “... onde já se viu um individuo sem rosto vituperar uma pessoa da corte, uma mulher que todos servíamos com respeito e amor?” (pág.43). Encontra-se também, a comparação para fazer uma aproximação entre dois termos ou expressões através do elemento linguístico comparativo, explicado desacordo com o seguinte exemplo: "...De manhã tirar-vos-ão aos quatro nus, correntes pelos pés, como o gado prestes a ser abatido..." (pág.80). Anáfora é o meio usado para destacar e descrever acções que neste caso estão para acontecer, trata-se de uma antevisão do futuro. “...outros transformar-se-ão em serpentes, entrarão no campo do inimigo, estudarão os seus passos e Verão o quantitativo” (pág.81). YÔ MABALANE! é uma obra que tem o seu conteúdo centrado na opressão dos povos moçambicanos deportados e mantidos reféns na Suazilândia e posteriormente deportados para Mabalane onde ficaram encarcerados numa prisão, foram oprimidos e maltratados durante muito tempo. Já em UALALAPI, fala-se da colonização étnica na qual os nguni dominam e colonizam os tsonga. Em YÔ MABALANE! tanto como em UALALAPI, viu-se que as duas obras procuram exaltar o sacrifício do povo moçambicano na luta pela independência, visto que este povo estava submetido ao jugo colonial e havia moçambicanos que abusavam o poder colonizando os seus compatriotas. Pensa-se que o que terá originado o aparecimento destas duas obras em análise, é o movimento de luta pela libertação nacional, dado que estas obras, YÔ MABALANE! e UALALAPI, são forjadoras da moçambicanidade e é através da sua expressão nacionalista que contribuem para a reconstrução da nação e da africanidade. Nestas duas obras é predominante o uso de uma linguagem referencial ou informativa que se traduz no género épico, para além de exaltar a coragem do povo moçambicano, por estes estarem a passarem por situações difíceis e nunca se renderam contra opressão dos colonialistas, mantiveram-se sempre unidos e resistentes perante os colonizadores. YÔ MABALANE!, o título nos remete a uma exaltação da dor que marca o sofrimento e a opressão a que os moçambicanos estavam submetidos e ao mesmo tempo é uma sobrevalorização do território nacional tendo em conta que Mabalane é um distrito, que serviu de albergue dos moçambicanos que eram deportados para penalizações e castigos pelos guardas prisionais. Outra forma de exaltar o nacionalismo na obra YÔ MABALANE! é a manifestação das canções e do uso das línguas nacionais “ Salazar ni malandza yako” (pág.48), para além da interjeição em língua local YÔ que aparece no título do livro. A personagem Savana é entendida como sendo a mãe, a pátria que procurava proteger os prisioneiros moçambicanos de todos os males que os atormentavam, há uma elevação da savana à categoria de deusa ou mãe do povo moçambicano, pelas suas intervenções nos momentos mais difíceis, fornecia um ar puro em torno do seu carinho, que tinha para com os seus filhos. Savana é uma forma de expressar o patriotismo e preferência do que é nacional, para além de, como já se disse anteriormente, usar elementos nacionais como as canções, as línguas nacionais, a própria savana que expressa a pureza do ambiente acolhedor a inspirava os moçambicanos pela sua calma e comodismo. A personagem Xico Feio é vista como o símbolo da opressão do povo moçambicano pelo que este passava a vida a maltratar os seus compatriotas moçambicanos. Portanto procura-se mostrar a opressão feita por um moçambicano em relação aos outros moçambicanos o que acontece também em UALALAPI. Contudo UALALAPI, tem várias significações, de entre as quais se referem o nome de um guerreiro da tribo nguni, título da obra e título de um dos contos que compõe a obra e segundo o Dicionário de Literatura, Ualalapi significa aquele que dorme o que mostra mais uma vez a exaltação da língua local e da cultura nacional. Devido à fungas de linguagem que predomina nos dois romances, a função informativa, conclui-se que estes dói livros pertencem ao género épico e enquadram-se no quarto período literário segundo a classificação de Pires Laranjeira sendo o período de formação da literatura moçambicana e ganha uma nova expressão no mundo literário. As mesmas obras fazem parte do Neo-Realismo visando representar a realidade e surge com a necessidade de privilegiar a reconstituição do cenário histórico na tentativa de uma transformação do homem concreto projectado para o futuro, não procura só dar a realidade mas também transformá-la. Capítulo IV 4.0. Conclusão Arte e sociedade mantêm vínculos estreitos. A literatura, por exemplo, absorve e expressa as condições do contexto em que é produzida, e está sujeita às variações ou mudanças que nele ocorrem. Fatos relacionados com o desenvolvimento sociocultural, como a difusão de periódicos, colaboraram para a afirmação da crónica como género literário. A partir de 1964 começa uma nova produção que recebe fortes influências do Neo-Realismo, do Renascimento Negro e do Movimento da Negritude, fazendo a apologia da solidariedade, denunciando o racismo, o colonialismo, a exploração nas minas da África do Sul” (...); muitos poetas preferem cantar a terra e a natureza, metáforas da “moçambicanidade”, ou o negro, exaltando o orgulho da cor. Capítulo V 5.0. Referências Bibliográficas ANDRADE, Mário Pinto de, Origens do Nacionalismo Africano, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1997; FERNANDES, António José, Métodos e Regras de Elaboração de Trabalhos Académicos e Científicos, Porto Editora, 2ª Edição, 1995. FERREIRA, Manuel, No Reino de Caliban III, Plátano Editora, 2ª edição, 1997; LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Mariana de Andrade, Metodologia de Investigação Científica, São Paulo: Atlas, 2ª Edição, 1991; LARANJEIRA, Pires, A Negritude Africana de Língua Portuguesa, Edições Afromento, Porto, 1995; LEITE, Ana Mafalda, Oralidades e Escritas nas Literaturas Africanas, Edições Colibri, Lisboa, 1998; LEITE, Ana Mafalda, Literaturas Africanas e Formulações Pós-Coloniais, Edições Colibri, Lisboa, 2003; MENDONÇA, Fátima, Literatura Moçambicana, a História e as Escritas, Núcleo editorial da UEM, Maputo, 1989; NOA, Francisco, A Escrita Infinita, Imprensa Universitária/UEM, Maputo, 1998; NOA, Francisco, Literatura Moçambicana, Memória e Conflito, Imprensa Universitária/UEM, Maputo, 1997; Image
 
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