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Gabriela Cravo e Canela - Jorge Amado (2) Imprimir E-mail
Escrito por SOS Estudante.com   
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Gabriela Cravo e Canela - Jorge Amado (2)
Página 2

1.Apresentação
A apresentação ocorre na parte inicial do livro (todo o primeiro capítulo), quando o autor descreve o local que onde se passa a trama. Ele apresenta e cita algumas personagens que serão importantes no desenrolar da história. Além disso deixa bem claro os hábitos e costumes das pessoas da época, apresentando personagens bem estereotipadas.
"Naquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do árabe Nacib, a estação das chuvas tanto se prolongara além do normal e necessário que os fazendeiros, como um bando assustado..."
"O Doutor não era doutor, o Capitão não era capitão. Como a maior parte dos coronéis não era coronéis. Poucos, em realidade, os fazendeiros que nos começos da República e da lavoura haviam adquirido patentes de coronel da Guarda Nacional."
"A cultura do cacau dominava todo o sul do Estado da Bahia, não havia lavoura mais lucrativa, as fortunas cresciam, crescia Ilhéus, a capital do cacau."
Trechos retirados da apresentação do romance.
2.Complicação
Nesta parte da trama, posterior a apresentação, temos novamente que dividi-la em dois campos: o social e político, e o amoroso. Neste momento da história é que surgem os conflitos das personagens. Conflitos entre as personagens e entre elas e o meio em que vivem..
No campo amoroso a complicação tem início a partir do momento em que Gabriela é admitida por Nacib como sua nova empregada. Quando depois eles acabam estabelecendo uma relação amorosa. Tem seu fim quando Nacib flagra Gabriela o traindo em sua cama na companhia de Tonico Bastos (é o Clímax).
"Voltou a examiná-la, era forte, por que não experimentá-la?
-- Sabe mesmo cozinhar?
-- O moço me leva e vai ver..."
Trecho em que Nacib analisa Gabriela para depois admiti-la como empregada.
"Gabriela não enxergava mais nada além do terno de reis, das pastoras com suas lanternas, Nilo com seu apito, Miquelina com o estandarte. Não via Nacib, não via Tonico, não via ninguém..."
Trecho em que Gabriela abandona sua vida "presa", e vai a festa de Reis.
No campo social e político a complicação tem seu início a partir do momento em que o progresso começa a modificar Ilhéus. Passam a existir certas discordâncias em relação a este progresso que chegava na cidade. O confronto de idéias dos progressistas e os conservadores. A construção de avenidas e o aprimoramento de rodovias caracterizam bem o progresso que chegava a Ilhéus. Buscava-se a exportação direta do cacau e o aumento da produção.
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" Pois é: põem dificuldades a obras indispensáveis à cidade. Uma estupidez sem nome. Ramiro Bastos cruza os braços, não tem visão, os coronéis o acompanham"
Trecho da fala de Capitão (progressista) sobre a reprovação dos conservadores em relação a obras que seriam benéficas a cidade.
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" Forasteiro !"
Maneira como o coronel Ramiro Bastos se referia a Mundinho Falcão, o símbolo do progresso.
a.. Um detalhe importante é que esses conflitos continuam até o fim do livro, não sendo interrompidos no clímax deste campo.

3.Clímax
O clímax é o momento marcante de qualquer livro, em "Gabriela Cravo e Canela" existem vários momentos marcantes, porém podemos estabelecer os dois principais em seus respectivos universos.
Clímax (amoroso)- O clímax deste campo ocorre, como dito anteriormente no momento em que Nacib flagra Gabriela o traindo em sua cama em companhia do sedutor Tonico Bastos.
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" Não me mate , Nacib! Só estava dando uns conselhos..."
Fala de Tonico Bastos ao ser descoberto por Nacib junto com Gabriela.
Clímax (social e político)- Neste campo o clímax ocorre quando Mundinho Falcão ganha a batalha política do coronel Ramiro Bastos, e acaba então se elegendo. Mostrando que a força do progresso só crescia.

4.Desfecho
A parte de conclusão dos acontecimentos da trama, que depende dos acontecimentos do clímax.

Desfecho (amoroso)- Apesar de ser traído, Nacib sente a falta de Gabriela, tanto no lado profissional (Gabriela enquanto cozinheira), quanto no lado sentimental, a falta de sua amada. Então Nacib acaba perdoando Gabriela, e eles passam a viver como antes do casamento.
"E aqui termina a história de Nacib e Gabriela quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito."
Esse trecho é retirado no final do livro, no seu desfecho.
Desfecho (social e político) - Com a vitória de Mundinho Falcão nas eleições o progresso chegou de vez à Ilhéus, sendo quebrado os tabus dos coronéis e iniciando-se novas obras em prol da cidade.
"Pela primeira vez , na história de Ilhéus, um coronel do cacau viu-se condenado à prisão por haver assassinado esposa adúltera e seu amante."
Trecho extraído do final do romance mostrando a perda de poderes dos coronéis.

O Narrador, como ele vê e apresenta a cultura baiana Embora seja um romance regionalista da Segunda Fase Modernista (1930-45), "Gabriela Cravo e Canela" ainda conserva elementos da narrativa do séc. XIX. No livro podemos observar a grande ênfase que o autor dá ao local onde se passa a trama, podemos dizer que como no séc. XIX ocorre o realce da cor local. As personagens são nesta trama extremamente relacionados ao meio, ou seja, a influência do meio social, que é outra característica do Romantismo.
"... saiu de casa ainda quase noite, às quatro da manhã, e viu o céu despejado num azul fantasmagórico de aurora desabrochando, o sol a anunciar-se num clarão alegre sobre o mar..."
Trecho exaltando a beleza de um nascer do Sol em Ilhéus.
Comentários sobre o Narrador
A narração é feita de um ponto de vista externo. O narrador é onisciente ou seja tem conhecimento de tudo que se passa na trama e se encontra terceira pessoa, ele também não participa da história.
O fato da narração ser feita de um ponto de vista externo prejudica a riqueza das personagens já que elas se tornam mais estereotipadas não havendo aprofundamento psicológico da identidade destas.
Problemas sociais e psicológicos presentes na Narrativa
1. Os Coronéis X as Forças Progressistas
Este conflito ocorre em plano político. Os coronéis extremamente conservadores são contra o progresso que chegava em Ilhéus, pois temiam perder seus poderes locais.
Com o progresso aumentaria o comércio diminuindo assim a importância dos grandes latifundiários da região.
2. Exploração dos lavradores
O meio que os coronéis encontravam para manter suas riquezas era a super-exploração dos lavradores. Devido as terras se concentrarem nas mãos de poucos latifundiários ficando uma grande massa de trabalhadores passando fome e por não terem escolha aceitam as miseráveis condições impostas por estes.
3. As relações sociais
A mulher não possuía direitos como os do homem, suas opiniões não eram consideradas pela sociedade, possuía apenas o papel de cuidar dos afazeres domésticos e terem filhos. As vezes eram tratadas como objetos assim como a alguns trabalhadores braçais, verdadeiras mercadorias. Isso denomina-se reificação.
4. O adultério
O livro divulga bem esta questão. Nesta época o adultério era extremamente comum porém punido com severidade, era normal o homem traído matar a mulher e o amante para manter sua imagem limpa perante a sociedade, isto era chamado de defesa da honra. No caso da traição de Gabriela, ela acabou perdoada por Nacib destoando dos demais casos da época e acabando com este "tabu".

 
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