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Página 2 de 2 4 - Linguagem
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz uma recriação da linguagem , "recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maior grandeza ao discurso. Nu da cintura para os queixos (ao invés de nu da cintura para cima) e ainda Não sabiam de nada coisíssima (no lugar de não sabiam de coisa nenhuma) constituem exemplos do apuramento da linguagem roseana. Toda a narrativa é marcada pela oralidade (Riobaldo conta seus casos a um interlocutor), portanto, sem possibilidades de ser reformulado, já que é emitido instantaneamente. Ainda tem-se as dúvidas do narrador e suas divagações, onde é percebido a intenção de Riobaldo em reafirmar o que diz utilizando a própria linguagem . O falar mineiro associado a arcaísmos, brasileirismos e neologismos faz com que o autor de Sagarana extrapole os limites geográficos de Minas. A linguagem ultrapassa os limites "prosaicos" para ganhar dimensão poético-filosófica (principalmente ao relatar os sentimentos para com Diadorim ou a tirar conclusões sobre o ocorrido através de seus aforismos).
4.1 - Aforismos
1. Viver é muito perigoso 2. Deus é paciência 3. Sertão. O senhor sabe : sertão 'onde manda quem é forte , com as astúcias . 4. ...sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar . 5. ...toda saudade é uma espécie de velhice 6. Jagunço é isso . Jagunço não se escabreia com perda nem derrota - quase tudo para ele é o igual. 7. Deus existe mesmo quando não há . Mas o demônio não precisa de existir para haver . 8. Viver é um descuido prosseguido . 9. sertão é do tamanho do mundo 10. Vingar , digo ao senhor : é lamber , frio , o que o outro cozinhou quente demais . 11. Quem desconfia , fica sábio . 12. Sertão é o sozinho . 13. Sertão : é dentro da gente . 14. ...sertão é sem lugar . 15. Para as coisas que há de pior , a gente não alcança fechar as portas . 16. Vivendo , se aprende ; mas o que se aprende , mais , é só a fazer outras maiores perguntas . 17. ...amor só mente para dizer maior verdade . 18. Paciência de velho tem muito valor . 19. Sossego traz desejos . 20. ... quem ama é sempre muito escravo , mas não obedece nunca de verdade .
5 - Estrutura de Narrativa
I - TEMPO
Psicológico . A narrativa é irregular ( enredo não linear), sendo acrescidos vários casos pequenos.
II - FOCO NARRATIVO
Primeira pessoa - narrador-personagem - utilizando-se do discurso direto e indireto livre.
III - ESPAÇO
A trama ocorre no sertão mineiro (norte) , sul da Bahia e Goiás . No entanto , por se tratar de uma narrativa densa , repleta de reflexões e divagações , ganha um caráter universal - "o sertão é o mundo".
IV PERSONAGENS
• PRICIPAL:
Riobaldo : personagem-narrador que conta sua estória a um doutor que nunca aparece. Riobaldo sente dificuldades em narrar, seja por sua precariedade em organizar os fatos , seja por sua dificuldade em entendê-los. Relata sua infância, a breve carreira de professor (de Zé Bebelo ), até sua entrada no cangaço (de jagunço Tatarana a chefe Urutu-Branco), estabelecendo-se às margens do São Francisco como um pacato fazendeiro.
• SECUNDÁRIOS:
Diadorim: é o jagunço Reinaldo, integrante do bando de Joca Ramiro. Esconde sua identidade real (Maria Deodorina) travestindo-se de homem. Sua identidade é descoberta ao final do romance, com sua morte.
Zé Bebelo: personalidade com anseios políticos que acaba por formar bando de jagunços para combater Joca Ramiro. sai perdedor, sendo exilado para Goiás e acaba por retornar com a morte do grande chefe para vingar o seu assassinato.
Joca Ramiro: é o maior chefe dos jagunços, mostrando um senso de justiça e ponderação no julgamento de Zé Bebelo, sendo bastante admirado .
Medeiro Vaz : chefe de jagunços que se une aos homens de Joca Ramiro para combater contra Hermógenes e Ricardão por conta da morte do grande chefe .
Hermógenes e Ricardão: são os traidores, sendo chamados de "judas", que acabam por matar Joca Ramiro. Muitos jagunços acreditavam que Hermógenes havia feito o pacto com o Diabo .
Só Candelário: outro chefe que ajuda na vingança. Possuía grande temor de contrair lepra.
Quelemém de Góis: compadre e confidente de Riobaldo, que o ajuda em suas dúvidas e inquietações sobre o Homem e o mundo.
• AS TRÊS FACES AMOROSSAS DE RIOBALDO:
Nhorinhá : prostituta, representa o amor físico. O seu caráter profano e sensual atrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal.
Otacília: contrária a Nhorinhá , Riobaldo destina a ela o seu amor verdadeiro (sentimental). É constantemente evocada pelo narrador quando este se encontrava desolado e saudoso durante sua vida de jagunço. Recebe a pedra de topázio de "seô Habão", simbolizando o noivado.
Diadorim : representa o amor impossível, proibido. Ao mesmo tempo em que se mostra bastante sensível com uma bela paisagem, é capaz de matar a sangue frio. É ela que causa grande conflito em Riobaldo, sendo objeto de desejo e repulsa (por conta de sua pseudo identidade).
6- BIBLIOGRAFIA
ROSA , João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro , Nova Fronteira , 1986 . BOSI , Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo , Cultrix , 1988. CASTRO, Nei Leandro de. Universo e Vocabulário do Grande Sertão, 20 ed. , Rio de Janeiro, Achiamé, 1982 .
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