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Infarto Agudo do Miocárdio
É um foco de necrose do músculo cardíaco decorrente de inadequada perfusão tissular acompanhado de conseqüente hipoxia, acumulo de metabólicos deletérios, bem como sinais e sintomas indicativos de morte celular miocárdica.
Localização
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Vaso Ocluído
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Local Lesado
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Artéria coronária descendente
Anterior esquerda (40 – 50%
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Parede anterior do VE próximo aoÁpice, 2/3 anteriores do Septo interventricular
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Artéria coronária direita(30 – 40%)
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Parede posterior do VE, 1/3
Posterior do septo interventricular
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Artéria coronária circunflexa
Esquerda (15 – 20%)
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Parede lateral do VE
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Morfologia
- Infartos subendocárdicos - infartos em um território imediatamente sob o endocárdio.
- Infartos transmurais - geralmente são mais graves. Lesiona de forma mais acentuada, atingindo do endocárdio ao pericárdio.
A gravidade do infarto depende se ele é transmural ou subendocárdico, depende da extensão da área infartada e, principalmente, depende da localização (no sinoatrial).
Macroscopia
20-60` - lesão reversível; sem alterações macroscópicas.
12-24h - área pálida; lesões macroscópicas.
3-5 dias - área pálida, amarelada, circundada por hiato hiperêmico.
2-3 semanas - área deprimida, macia, retrátil, acinzentada.
6 meses - aspecto cinza-pálido (cicatricial).
Microscopia
20-60´ - degeneração hidrópica e esteatose.
12-24h - área de necrose coagulativa; fibras finas e bem eosinofílicas; alterações nucleares (cariopicnose, cariorexe ou cariólise).
3-5 dias - cicatrização reparativa: o material necrótico vai sendo retirado por macrófagos; aspecto amarelado: células inflamatórias e resto necrótico; halo hiperêmico.
2-3 semanas - deposição de colágeno (processo reparativo).
6 meses - área de cicatriz definida.
É também uma síndrome clinica que resulta de isquemia e se manifesta por sinais e sintomas, como dor torácica compressiva intensa e diaforese, arritmia ventricular maligna, insuficiência cardíaca ou choque.
Os fatores de risco para IAM consistem em diabetes melito, hipertensão, obesidade troncular, tabagismo, níveis aumentados de LDL-colesterol, níveis diminuídos de HDL colesterol bom, níveis aumentados de homocisteína e de lipoproteína.
A freqüência cardíaca é, muitas vezes, aumentada em virtude da descarga simpaticoadrenal, taquicardia ventricular, fibrilação ventricular, bradiarritimias podem ocorrer sendo atribuíveis ao comprometimento da função do nódulo SA (sino atrial). A pressão arterial geralmente é elevada inicialmente pela vasoconstricção arterial, porém no IAM do VD (ventrículo direito) ou disfunção grave do VE (ventrículo esquerdo) ocorre hipotensão. A freqüência respiratória pode-se encontrar aumentada em resposta à congestão pulmonar ou ansiedade. Tosse, sibilos e catarro espumoso podem ocorrer. Geralmente, há febre nas primeiras 24 a 48 h, sendo a curva de temperatura geralmente atrelada às elevações dos níveis sanguíneos de creatina quinase. A febre pode exceder a 39°c. o pulso alternante, pode indicar o comprometimento da função do VE, como também a menor amplitude e a brevidade do pulso carotídeo em decorrência do volume sistólico diminuído.
O clássico IAM, com necrose extensa, ocorre quando a perfusão do miocárdio está reduzida, abaixo de suas necessidades, por um intervalo prolongado e resultando na perda permanente da função através da morte celular por necrose de coagulação.
Indicações para o exercício:
- Infarto agudo do miocárdio com boa evolução
- Revascularização do miocárdio.
- Angina Estável.
- Angioplastia coronária.
- Miocardiopatias.
- Transplante cardíaco.
- Hipertensão arterial sistêmica controlada.
Contra indicações:
Absolutas:
- Paciente acamado.
- Angina estável ou prolongada.
- Infarto agudo do miocárdio instável.
- Arritmia atrial ou ventricular severa.
- Infecção aguda.
- Pericardite aguda.
- Estenose aortica severa.
Relativa:
- Doença valvular cardíaca moderada.
- Aneurisma ventricular.
- Anormalidade eletrolíticas.
- Insuficiência cardíaca compensada.
- Depressão do segmento ST em repouso.
Benefícios do exercício na reabilitação cardíaca
A demonstração de redução significativa da mortalidade nos infartados, submetidos a atividades físicas aeróbicas e, também redução na morbidade quando se corrige obesidade, dislipidemias, intolerância à glicose, hipertensão arterial, hipercoagulabilidade e o hábito de fumar, autorizam ao cardiologista recomendar exercício para seus pacientes cardiopatas assim como controlar os demais fatores de risco coronário.
O nível de exercícios físico aeróbico deve equivaler a 2.000 kcal/semana distribuídas em cinco dias. Os programas de reabilitação cardíaca destinados a coronarianos têm demonstrado segurança com 0,66 por 10.000 pacientes/hora que sofreram parada cardíaca.
Dentre os efeitos crônicos do exercício que parecem interferir positivamente na evolução da doença coronária e contribuir favoravelmente no prognóstico daqueles pacientes, destacamos:
1. Maior tolerância ao exercício.
A prática regular de atividade física dinâmica - contrações musculares contra baixa resistência em número elevado de repetições , tende a elevar a tolerância ao exercício através do aumento da capacidade aeróbia máxima (figura 2). Benefício prático maior, entretanto, é obtido nas atividades submáximas, ou seja, na intensidade das atividades diárias.
A redução proporcional da concentração de ácido lático tende a diminuir o grau de fadiga muscular, inclusive respiratória, reduzir o trabalho da musculatura esquelética e respiratória - esta de expressão maior na insuficiência cardíaca - elevando a tolerância às atividades laborativas e domésticas.
A aplicação de exercícios de força - maior componente estático - em trabalhos sobre a musculatura dos membros superiores acentua estes benefícios. Capacidade de sustentar pesos mais elevados à nível máximo, como efeito destes treinamentos, permite reduzir o estresse cardiovascular a nível submáximo, pela proporcional redução de esforço a este nível, propiciando maior facilidade em suportar sobrecargas nas atividades habituais.
2. Menor consumo de oxigênio pelo miocárdio.
A redução da freqüência cardíaca em esforços submáximos, freqüentemente associada a redução da pressão arterial sistólica - menor duplo produto -, proporciona maior tolerância ao exercício, elevação clínica do limiar isquêmico, maior eficiência miocárdica e, ao menos teoricamente, prevenção de episódios anginosos, menor propensão a arritmias e do risco de morte súbita.
3. Redução da pressão arterial.
Redução da pressão arterial com programas regulares de exercício têm sido amplamente demonstrada na literatura além de constituirem-se em medidas não farmacológicas recomendadas.
A síndrome de resistência a insulina está associada a elevação da pressão arterial. Ela cursa com retenção de sódio ao nível do túbulo distal, elevação da atividade autonômica simpática, redistribuição centrípeta e visceral do tecido adiposo, elevação dos níveis de fibrinogênio, elevação dos triglicerídeos e redução do colesterol HDL.
Esta predisposição aterogênica parece ser dramaticamente reduzida pela prática de atividade física regular, prevenindo, ou ao menos retardando, este perfil metabólico-hemodinâmico que, com freqüência, evolui para o diabete tipo II. Maior sensibilidade à insulina e aumento do número dos receptores GLUT-4 (transportador de glicose tipo 4) seria o efeito metabólico benéfico do exercício.
4. Melhor controle ponderal.
Modificações positivas no perfil lipídico, independente do peso corporal, sejam observados em diversos estudos que avaliam efeitos de programas de reabilitação em coronariopatas. Estudo recente avaliando a intensidade, duração e freqüência da atividade física e os fatores de risco coronário concluiu pela forte associação do colesterol HDL e do índice de massa corporal com a freqüência de realização da atividade física, mais do que sua duração ou intensidade.
5. Adequação do sistema nervoso autônomo.
A perda do equilíbrio autonômico, em particular após o infarto agudo do miocárdio, tem sido associada o pior prognóstico. A redução da atividade parassimpática parece propiciar o desenvolvimento de arritmias e morte súbita.
Experimentalmente o aumento do tônus parassimpático tem sido relacionado a elevação do limiar fibrilatório, quando de sua indução experimental. Por outro lado, a simples redução da freqüência cardíaca em repouso tem sido associada a redução da mortalidade total e cardiovascular, em particular.
Os efeitos do exercício regular sobre o sistema nervoso autônomo direciona-se no sentido de aumento da atividade parassimpática, redução da freqüência cardíaca submáxima, desta forma sugerindo proteção contra eventos cardíacos maiores.
6. Reversão da aterosclerose.
Alguns estudos envolvendo a introdução de mudança de hábitos em portadores de coronariopatia têm identificado mudanças na anatomia da lesão aterosclerótica, à luz da angiografia coronária.
Mudanças alimentares radicais, associadas a procedimentos de relaxamento mental e prática de atividade física regular promoveram redução da placa de aterosclerose em artérias coronárias de 82% dos pacientes.
Estudos avaliando possíveis modificações promovidas exclusivamente pela atividade física sobre a doença aterosclerótica coronária identificou, após um ano de acompanhamento, redução da placa em cerca de 28% dos pacientes que desprendiam, semanalmente, cerca de 2000 Kcal. Embora estas reduções sejam quantitativamente pequenas, melhora clínica evolutiva tem sido observada.
7. Prevenção da trombogênese.
É indiscutível o papel da trombogênese no desencadeamento e evolução dos episódios isquêmicos agudos. Alguns trabalhos demonstram modificações significativas impostas, particularmente em idosos, nas respostas metabólica e endotelial, em decorrência à prática regular de atividade física.
8. Elevação da qualidade de vida.
Programas de reabilitação, particularmente quando realizados em grupos, promovem o relacionamento entre portadores de doenças semelhantes, estimulando a vida de relação e aumentando o bem estar psico-social.
Grande ênfase no enfoque psicológico e seu tratamento estão indicado nos pacientes em reabilitação. Estudos em 591 pacientes submetidos a programa de reabilitação após eventos coronários maiores observaram elevação de 33% na capacidade de exercício, redução de 6% no percentual de gordura corporal e nos níveis de triglicerídeos e aumento de 5% do colesterol HDL. Encontraram, também com significância estatística, redução do escore de ansiedade (-39%), de depressão (-35%), de somatização (-37%) e elevação de índice que avalia a qualidade de vida (+14%).
Percebemos com isso, que a reabilitação de pacientes cardíacos é a somatória das atividades necessárias para garantir as melhores condições físicas, mentais e sociais possíveis de modo que eles possam com seus próprios esforços, recuperar uma vida ativa e produtiva. A definição "com seus próprios esforços" implica que cada paciente a ser reabilitado deve assumir o controle e a direção do programa. Reabilitação cardíaca pode, então, ser definida como o processo de "restaurar" uma pessoa com cardiopatia, e manter para aquela pessoa, as suas condições fisiológicas, psico-sociais, profissionais e educacionais. O emprego sistemático da reabilitação, no tratamento do infarto agudo do miocárdio é justificado pelo aumento da capacidade funcional, redução de sintomas, benefício psicológico, auxílio no controle de fatores de risco, retorno mais precoce ao trabalho e possível melhora da sobrevida.
Bibliografia: Sociedade de cardiologia do estado de são Paulo
Socesp cardiologia – atualização e reciclagem atheneu, 1994 rio de janeiro.
Infarto Agudo do Miocárdio
É um foco de necrose do músculo cardíaco decorrente de inadequada perfusão tissular acompanhado de conseqüente hipoxia, acumulo de metabólicos deletérios, bem como sinais e sintomas indicativos de morte celular miocárdica.
Localização
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Vaso Ocluído
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Local Lesado
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Artéria coronária descendente
Anterior esquerda (40 – 50%
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Parede anterior do VE próximo aoÁpice, 2/3 anteriores do Septo interventricular
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Artéria coronária direita(30 – 40%)
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Parede posterior do VE, 1/3
Posterior do septo interventricular
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Artéria coronária circunflexa
Esquerda (15 – 20%)
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Parede lateral do VE
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Morfologia
- Infartos subendocárdicos - infartos em um território imediatamente sob o endocárdio.
- Infartos transmurais - geralmente são mais graves. Lesiona de forma mais acentuada, atingindo do endocárdio ao pericárdio.
A gravidade do infarto depende se ele é transmural ou subendocárdico, depende da extensão da área infartada e, principalmente, depende da localização (no sinoatrial).
Macroscopia
20-60` - lesão reversível; sem alterações macroscópicas.
12-24h - área pálida; lesões macroscópicas.
3-5 dias - área pálida, amarelada, circundada por hiato hiperêmico.
2-3 semanas - área deprimida, macia, retrátil, acinzentada.
6 meses - aspecto cinza-pálido (cicatricial).
Microscopia
20-60´ - degeneração hidrópica e esteatose.
12-24h - área de necrose coagulativa; fibras finas e bem eosinofílicas; alterações nucleares (cariopicnose, cariorexe ou cariólise).
3-5 dias - cicatrização reparativa: o material necrótico vai sendo retirado por macrófagos; aspecto amarelado: células inflamatórias e resto necrótico; halo hiperêmico.
2-3 semanas - deposição de colágeno (processo reparativo).
6 meses - área de cicatriz definida.
É também uma síndrome clinica que resulta de isquemia e se manifesta por sinais e sintomas, como dor torácica compressiva intensa e diaforese, arritmia ventricular maligna, insuficiência cardíaca ou choque.
Os fatores de risco para IAM consistem em diabetes melito, hipertensão, obesidade troncular, tabagismo, níveis aumentados de LDL-colesterol, níveis diminuídos de HDL colesterol bom, níveis aumentados de homocisteína e de lipoproteína.
A freqüência cardíaca é, muitas vezes, aumentada em virtude da descarga simpaticoadrenal, taquicardia ventricular, fibrilação ventricular, bradiarritimias podem ocorrer sendo atribuíveis ao comprometimento da função do nódulo SA (sino atrial). A pressão arterial geralmente é elevada inicialmente pela vasoconstricção arterial, porém no IAM do VD (ventrículo direito) ou disfunção grave do VE (ventrículo esquerdo) ocorre hipotensão. A freqüência respiratória pode-se encontrar aumentada em resposta à congestão pulmonar ou ansiedade. Tosse, sibilos e catarro espumoso podem ocorrer. Geralmente, há febre nas primeiras 24 a 48 h, sendo a curva de temperatura geralmente atrelada às elevações dos níveis sanguíneos de creatina quinase. A febre pode exceder a 39°c. o pulso alternante, pode indicar o comprometimento da função do VE, como também a menor amplitude e a brevidade do pulso carotídeo em decorrência do volume sistólico diminuído.
O clássico IAM, com necrose extensa, ocorre quando a perfusão do miocárdio está reduzida, abaixo de suas necessidades, por um intervalo prolongado e resultando na perda permanente da função através da morte celular por necrose de coagulação.
Indicações para o exercício:
- Infarto agudo do miocárdio com boa evolução
- Revascularização do miocárdio.
- Angina Estável.
- Angioplastia coronária.
- Miocardiopatias.
- Transplante cardíaco.
- Hipertensão arterial sistêmica controlada.
Contra indicações:
Absolutas:
- Paciente acamado.
- Angina estável ou prolongada.
- Infarto agudo do miocárdio instável.
- Arritmia atrial ou ventricular severa.
- Infecção aguda.
- Pericardite aguda.
- Estenose aortica severa.
Relativa:
- Doença valvular cardíaca moderada.
- Aneurisma ventricular.
- Anormalidade eletrolíticas.
- Insuficiência cardíaca compensada.
- Depressão do segmento ST em repouso.
Benefícios do exercício na reabilitação cardíaca
A demonstração de redução significativa da mortalidade nos infartados, submetidos a atividades físicas aeróbicas e, também redução na morbidade quando se corrige obesidade, dislipidemias, intolerância à glicose, hipertensão arterial, hipercoagulabilidade e o hábito de fumar, autorizam ao cardiologista recomendar exercício para seus pacientes cardiopatas assim como controlar os demais fatores de risco coronário.
O nível de exercícios físico aeróbico deve equivaler a 2.000 kcal/semana distribuídas em cinco dias. Os programas de reabilitação cardíaca destinados a coronarianos têm demonstrado segurança com 0,66 por 10.000 pacientes/hora que sofreram parada cardíaca.
Dentre os efeitos crônicos do exercício que parecem interferir positivamente na evolução da doença coronária e contribuir favoravelmente no prognóstico daqueles pacientes, destacamos:
1. Maior tolerância ao exercício.
A prática regular de atividade física dinâmica - contrações musculares contra baixa resistência em número elevado de repetições , tende a elevar a tolerância ao exercício através do aumento da capacidade aeróbia máxima (figura 2). Benefício prático maior, entretanto, é obtido nas atividades submáximas, ou seja, na intensidade das atividades diárias.
A redução proporcional da concentração de ácido lático tende a diminuir o grau de fadiga muscular, inclusive respiratória, reduzir o trabalho da musculatura esquelética e respiratória - esta de expressão maior na insuficiência cardíaca - elevando a tolerância às atividades laborativas e domésticas.
A aplicação de exercícios de força - maior componente estático - em trabalhos sobre a musculatura dos membros superiores acentua estes benefícios. Capacidade de sustentar pesos mais elevados à nível máximo, como efeito destes treinamentos, permite reduzir o estresse cardiovascular a nível submáximo, pela proporcional redução de esforço a este nível, propiciando maior facilidade em suportar sobrecargas nas atividades habituais.
2. Menor consumo de oxigênio pelo miocárdio.
A redução da freqüência cardíaca em esforços submáximos, freqüentemente associada a redução da pressão arterial sistólica - menor duplo produto -, proporciona maior tolerância ao exercício, elevação clínica do limiar isquêmico, maior eficiência miocárdica e, ao menos teoricamente, prevenção de episódios anginosos, menor propensão a arritmias e do risco de morte súbita.
3. Redução da pressão arterial.
Redução da pressão arterial com programas regulares de exercício têm sido amplamente demonstrada na literatura além de constituirem-se em medidas não farmacológicas recomendadas.
A síndrome de resistência a insulina está associada a elevação da pressão arterial. Ela cursa com retenção de sódio ao nível do túbulo distal, elevação da atividade autonômica simpática, redistribuição centrípeta e visceral do tecido adiposo, elevação dos níveis de fibrinogênio, elevação dos triglicerídeos e redução do colesterol HDL.
Esta predisposição aterogênica parece ser dramaticamente reduzida pela prática de atividade física regular, prevenindo, ou ao menos retardando, este perfil metabólico-hemodinâmico que, com freqüência, evolui para o diabete tipo II. Maior sensibilidade à insulina e aumento do número dos receptores GLUT-4 (transportador de glicose tipo 4) seria o efeito metabólico benéfico do exercício.
4. Melhor controle ponderal.
Modificações positivas no perfil lipídico, independente do peso corporal, sejam observados em diversos estudos que avaliam efeitos de programas de reabilitação em coronariopatas. Estudo recente avaliando a intensidade, duração e freqüência da atividade física e os fatores de risco coronário concluiu pela forte associação do colesterol HDL e do índice de massa corporal com a freqüência de realização da atividade física, mais do que sua duração ou intensidade.
5. Adequação do sistema nervoso autônomo.
A perda do equilíbrio autonômico, em particular após o infarto agudo do miocárdio, tem sido associada o pior prognóstico. A redução da atividade parassimpática parece propiciar o desenvolvimento de arritmias e morte súbita.
Experimentalmente o aumento do tônus parassimpático tem sido relacionado a elevação do limiar fibrilatório, quando de sua indução experimental. Por outro lado, a simples redução da freqüência cardíaca em repouso tem sido associada a redução da mortalidade total e cardiovascular, em particular.
Os efeitos do exercício regular sobre o sistema nervoso autônomo direciona-se no sentido de aumento da atividade parassimpática, redução da freqüência cardíaca submáxima, desta forma sugerindo proteção contra eventos cardíacos maiores.
6. Reversão da aterosclerose.
Alguns estudos envolvendo a introdução de mudança de hábitos em portadores de coronariopatia têm identificado mudanças na anatomia da lesão aterosclerótica, à luz da angiografia coronária.
Mudanças alimentares radicais, associadas a procedimentos de relaxamento mental e prática de atividade física regular promoveram redução da placa de aterosclerose em artérias coronárias de 82% dos pacientes.
Estudos avaliando possíveis modificações promovidas exclusivamente pela atividade física sobre a doença aterosclerótica coronária identificou, após um ano de acompanhamento, redução da placa em cerca de 28% dos pacientes que desprendiam, semanalmente, cerca de 2000 Kcal. Embora estas reduções sejam quantitativamente pequenas, melhora clínica evolutiva tem sido observada.
7. Prevenção da trombogênese.
É indiscutível o papel da trombogênese no desencadeamento e evolução dos episódios isquêmicos agudos. Alguns trabalhos demonstram modificações significativas impostas, particularmente em idosos, nas respostas metabólica e endotelial, em decorrência à prática regular de atividade física.
8. Elevação da qualidade de vida.
Programas de reabilitação, particularmente quando realizados em grupos, promovem o relacionamento entre portadores de doenças semelhantes, estimulando a vida de relação e aumentando o bem estar psico-social.
Grande ênfase no enfoque psicológico e seu tratamento estão indicado nos pacientes em reabilitação. Estudos em 591 pacientes submetidos a programa de reabilitação após eventos coronários maiores observaram elevação de 33% na capacidade de exercício, redução de 6% no percentual de gordura corporal e nos níveis de triglicerídeos e aumento de 5% do colesterol HDL. Encontraram, também com significância estatística, redução do escore de ansiedade (-39%), de depressão (-35%), de somatização (-37%) e elevação de índice que avalia a qualidade de vida (+14%).
Percebemos com isso, que a reabilitação de pacientes cardíacos é a somatória das atividades necessárias para garantir as melhores condições físicas, mentais e sociais possíveis de modo que eles possam com seus próprios esforços, recuperar uma vida ativa e produtiva. A definição "com seus próprios esforços" implica que cada paciente a ser reabilitado deve assumir o controle e a direção do programa. Reabilitação cardíaca pode, então, ser definida como o processo de "restaurar" uma pessoa com cardiopatia, e manter para aquela pessoa, as suas condições fisiológicas, psico-sociais, profissionais e educacionais. O emprego sistemático da reabilitação, no tratamento do infarto agudo do miocárdio é justificado pelo aumento da capacidade funcional, redução de sintomas, benefício psicológico, auxílio no controle de fatores de risco, retorno mais precoce ao trabalho e possível melhora da sobrevida.
Bibliografia: Sociedade de cardiologia do estado de são Paulo
Socesp cardiologia – atualização e reciclagem atheneu, 1994 rio de janeiro.
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