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O Crime do Padre Amaro Imprimir E-mail
Escrito por edson luiz duarte   

I - Autor

Þ   Divisor entre tradição e modernidadeÞ   Sua obra é dividida em :·        1ª Fase:  influência romântica determinada por uma visão social

linguagem mais solta, neologismo

                               "O Mistério da Estrada de Sintra"(1871)·        2ª Fase: fase de combate a ataque às instituições"O Primo Basílio"(1878), "Os Maias"(1880)·        3ª Fase: abandono das críticas mordazes, com uma visão mais otimista"A ilustre casa de Ramires"(1897), A Cidade e as Serras(1901)

II - Obra (1875)

·        Enfatiza o Homem em sua dimensão animal e satisfação de necessidades materiais.·        Homem sem idealização·        crítica à sociedade: alta Burguesia e Classe média ociosa da Província.·        todas as atitudes estão fundamentadas numa explicação plausível.·        preferência pela narração - preocupação com observação da realidade.·        retrato fiel do ambiente e da realidade - descrição de minúcias e análise.·        ataca a hipocrisia do clero.·        Romance de tese, inclusive com a exposição do narrador, que se identifica como médico de convicções anticlericais e materialistas.·        Função engajada da Literatura  - criticar para corrigir

II- Narrador

·        Narrador Onisciente, que conscientiza o leitor dos problemas sociais ·        não confia na capacidade das personagens de explicitar o sistema de valores.·        Utiliza do passado das personagens para configurá-los moral, física e ideologicamente.·        É freqüente o narrador realista dedicar-se à descrição dos ambientes que condicionam a ação das personagens e determinam o desenvolvimento do enredo.·        Uso do discurso Indireto Livre(Ausência do verbo dicendi) "O Padre Amaro esclareceu-a com bondade. O inimigo tinha muitas maneiras, mas a habitual era esta: fazia descarrilar um trem de modo que morressem passageiros, e como essas almas não estavam preparadas para a extrema unção, o demônio ali mesmo, zás trás, apoderava-se delas!"·        Uso de disc. direto, representação da espontaneidade da linguagem oral.·        Permite compreender características psicológicas das personagens.

III - Ambiente e época

·     Inicia-se em Feirão, paróquia de pastores na Serra da Beira Alta.·     Leiria - pequena vila de província ·     Lisboa·     A ultima data citada é maio de 1872, quando reencontram os padres.

IV - Estilo

·     O autor torna abundantes o pitoresco e a audaciosa desarticulação da língua.·     Abandono da rigidez das normas gramaticais e retóricas.·     Uso de Ironia.·     Ordem direta no período..."enquanto D. Maria da Assunção vinha palrando com o moço da Quinta, que segurava a arreata."·        autor privilegia a duplicidade dos adjetivos, atendendo as exigências de cunho psicológico, apresentando os lados objetivo e subjetivo dos termos." O pároco era um homem sangüíneo e nutrido...  ·        Exploração dos 5 sentidos, exprimindo a realidade de forma imediata."No meio da sala de jantar, forrada de papel escuro, a claridade da mesa alegrava, com a sua toalha muito branca, a louça, os copos reluzindo à luz forte do candeeiro de abat-jour verde. Da terrina subia o vapor cheiroso do caldo, e na larga travessa a galinha gorda, afogada num arroz úmido e branco, rodeada de nacos de bom paio, tinha, uma aparência suculenta, de prato morgado.(...)"

V - Personagens 

·        modelados de acordo com a teoria determinista.·        condicionados pela herança, meio e circunstâncias.  Luísa - bem intencionadas, mas têm caráter dócil à sedução masculina Amaro e Amélia  -  desde a infância já se mostram sensuais.      - criados num ambiente de exaltações sentimentais e misticismo vicioso.Afeminado Pe. Amaro  ·        Conduzido ao sacerdócio sem nenhuma vocação.·        No seminário, vê um desenho da Virgem e a vê como uma mulher sensual.·        Nos encontros sexuais, adora Amélia como se ela fosse a Virgem.·        Vê Amélia como objeto de gozo.·        Amélia lhe permite exercer dominação, desforrando-se de seu passado de dependências e inferioridade. - Sente-se um Deus para ela.               "Amaro gozava prodigiosamente esta dominação; ela desforrava-o de todo um passado de dependências - a casa do tio, o seminário, a sala branca do senhor Conde de Ribamar...A sua existência de padre era uma curvatura humilde que lhe fatigava a alma; vivia da obediência ao senhor Bispo, à câmara eclesiástica, aos cânones, à Regra que nem lhe permitia Ter uma vontade própria nas suas relações com o sacristão.(...)"·        Sedutor, usa de seu conhecimento para induzir atitudes de outras personagens.Amélia   ·        Formação católica exagerada - devoção exagerada·        Criada entre padres e beatas.·        Religiosa e devota            "Uma voz disse adeusinho! adeusinho! E apareceu, subindo quase a correr, com os vestidos um pouco apanhados adiante, uma bela rapariga, forte, alta, bem feita, com uma manta branca na cabeça e na mão um ramo de alecrim."·        Entrega-se a paixão avassaladora, destruindo sua própria existência.·        Tese naturalista sobre a fragilidade feminina  - temperamento romântico  - vida ociosa·        Corpo e alma perdem autonomia ao entregar-se sexualmente.           "(...)Vivia com os olhos nele, numa obediência de animal: tinha só a curvar-se quando ele falava, e quando vinha o momento de desapertar o vestido."Secundários  - Apresentam caráter negativo.Cônego Dias ·        Muito conhecido em Leiria, mantém um caso amoroso com S. Joaneira.·        Comilão - gula·        Lascivo, mestre de moral no seminário.Pe. Natário   - Mau gênio, cruel e vingativo.·        Caso com duas sobrinhas  -  "duas rosas do meu canteiro"Pe. Brito  - Grosseiro, brutal, repugnante.·        Caso com esposa de um regedorPe. Abade  Ferrão - Bom-  Usado para destacar os atributos negativos dos outros.Beatas    - Dª Maria da Assunção \  Dª Josefa Dias (irmã do Cônego)                  - Irmãs Gansosos          \    Libaninho - homossexual                 João Eduardo - Noivo, detestado pelo grupo                         - O liberal - artigoDionísia - empregada de Amaro, ela que mandava recados   VI - Enredo  ·        Morte da mãe de Amaro·        Adotado marquesa de Alegros - casada com Conde Ribamar·        Vai para o seminário - depois para montanhas, entre pastores         "Tinham-no impelido para o sacerdócio como um boi para o curral."·        Sacerdote em Leiria - influência (Conde Ribamar)·        Hospeda-se na casa S. Joaneira - mãe de Amélia         "O pároco fechou a porta do quarto. A roupa da cama entreaberta, alva, tinha um bom cheiro de linho lavado. Por cima da cabeceira pendia a gravura antiga de um Cristo crucificado. Amaro abriu o seu Breviário, ajoelhou aos pés da cama, persignou-se; mas estava fatigado, vinham-lhe grandes bocejos; e então por cima, sobre o teto, através das orações rituais que maquinalmente ia lendo, começou a sentir o tique-taque das botinas de Amélia e o ruído das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se."·        Noites de diversão com música e jogos - sedução·        Artigo - Liberal (João Eduardo)·        Amaro muda de casa - intensifica o sentimento·        Encontros na casa do Sineiro·        Amélia ensinaria dogmas cristãos para Totó (doente, louca)·        Pe. Amaro - preparava Amélia para freira         "Ela concordou logo- como em tudo que saía dos seus lábios. Desde a primeira manhã, na casa do Tio Esguelhas, ela abandonara-se-lhe absolutamente, toda inteira, corpo, alma, vontade e sentimento: não havia na sua pele um cabelinho, não corria no seu cérebro um aidéia, que nào pertencesse ao senhor pároco. Aquela possessão de todo o seu ser não a invadira gradualmente; fora completa, no momento em que seus fortes braços se tinham fechado sobre ela. Parecia que os beijos dele lhe tinham sorvido, esgotado a alma: agora era como uma dependência inerte da sua pessoa.(...)"·        Cônego Dias descobre - tornam-se cúmplices·        Gravidez Amélia·        Dionísia sai a procura de João Eduardo, para casá-la ·        Plano: D. Joaneira vai para a praia com o Cônego e Amélia vai para um povoado ajudar D. Josefa a se recuperar de uma doença·        Amélia conhece Abade Ferrão, que tente salvá-la de Amaro·        Nova sedução de Amaro·        Parto e morte de Amélia

  • Bebê vai para "tecedeira de anjos"

·        Amaro vai para Lisboa·        Conde Ribamar, Cônego Dias·        Comentários sobre a paz, prosperidade e contentamento de Portugal que desperta inveja na Europa, graças a "Sacerdotes respeitáveis"                         VII - Últimas observações·        Política e Clero - diálogo entre Conde de Ribamar com um ministro do Governo, ficou patenteado que os homens públicos contavam com os padres para influenciarem o povo na aceitação pacífica das medidas que tomassem e, assim sendo, eram impostas.·        A Confissão - num almoço que reuniu vários padres , mostrou-se a confissão como sendo um recurso que usavam para manipular as consciências e tirara proveito pessoal. Na verdade, nem os padres acreditavam que Deus estivesse perdoando através deles.·        O celibato - Impaciente por não poder Ter uma vida sexual como a das pessoas comuns, Pe. Amaro se revoltava interiormente, dizendo para si mesmo que não abriria mão de sua virilidade.               "Nesses momentos, ele repassava na memória o que lhe haviam ensinado no seminário a favor do celibato, que quem o abraçasse evitaria o assédio dos três inimigos da alma: o Mundo, o Diabo e a Carne; o diabo ele nunca tinha visto; como evitaria o mundo(riquezas, cavalos, palacetes) e a carne(uma mulher bonita que o amava e era a consolação de sua vida?) Só se fugisse para o deserto!(...)O celibato, afirmava o Pe. Amaro em seu íntimo, foi inventado por um concílio de bispos velhos, inúteis como eunucos! Ele concluía que seu amor era apenas uma infração ao Direito Canônico, isto é, às normas da igreja, mas não uma ofensa a Deus."·        A Ciência e a Igreja - Carlos, personagem secundário. é dono de uma farmácia, e se diz adepto da ciência e considerava-se um liberal. Porém critica o artigo de João Eduardo, afirmando que "a religião é a base da sociedade." Ele não considera os padres uns santos, mas os republicanos ateus deveriam ser eliminados do convívio social sadio.

  • Pe. Amaro e Basílio - sairam ilesos dos episódios que os comprometia, delineando assim, uma situação clara de ironia à sociedade burguesa, verdadeira vilã.
  • Apesar da vitória do bem contra o mal, o livro é moralista
  • O leitor tem a clara visão de que os vencedores aparentes são os vencidos na realidade, no sentido de se constituírem as pessoas erradas, os imorais dominadores.

Abade Ferrão e Dr. Gouveia são figuras positivas que se apresentam como exceções que não foram afetadas pela pod


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Comentários (1)
Comentários em RSS
1. 16-09-2008 19:15
 
o crime do padre amaro
olá estou mandando pra vc!!!! 
beijitos fik com deus!!! :grin :zzz :upset :eek :roll :p 8) ;) :grin :) :? :cry :( :x
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