Resenha: Livro de Receitas do Prof. de Português

Aline Sobreira de Oliveira - Milton Pereira Júnior - Priscila M. de Barros Borges - Ronaldo Alves da Silva
 

RESENHA:


LIVRO DE RECEITAS DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS

Trabalho apresentado à disciplina Introdução aos Estudos da Linguagem do 1o período do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais.

Professor: José Quintão

 
 
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE  A AUTORA E SUA OBRA

 

COSCARELLI, Carla Viana. Livro de receitas do professor de português: atividades para a sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. 136p. (Formação humana na escola).

Carla Viana Coscarelli é doutora em Estudos Lingüísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais onde atua como professora da Faculdade de Letras. É coordenadora do projeto “Redigir: curso de leitura e produção de textos à distância” da FALE/UFMG. Interessa-se por pesquisas que giram em torno da leitura, pesquisas que procuram explicar os aspectos cognitivos envolvidos na leitura. Interessa-se também pela utilização da informática como recurso pedagógico. Trabalha em cursos de formação de professores, através da Secretaria de Educação, assim como de outras universidades e faculdades. Trabalhou junto ao MEC, no SAEB 2001 (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) como assessora de Língua Portuguesa. Publicou, além do livro resenhado neste trabalho, “A informática na escola” pela FALE em 2002 e organizou a obra “Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar” publicado pela Editora Autêntica, também em 2002.

Este livro apresenta uma lista de atividades para serem trabalhadas pelos professores de língua portuguesa. Ela o denomina como um livro de receitas, que serve para guiar o professor no exercício de seu trabalho. Segundo ela, este livro “é na verdade, como um bom livro de receitas, pois deve ser tomado apenas como referência”.

O livro tem 136 páginas, e possui as seguintes divisões de capítulos: introdução, entradas/petiscos, saladas, pratos quentes, variações sobre o mesmo prato, sobremesas e cafezinho/licor.

No primeiro capítulo, entrada/petiscos, são recomendadas atividades “que podem ajudar ao professor a chamar a atenção dos alunos ou a fazer com que eles voltem suas atenções para a aula de português, além de servirem para iniciar discussões sobre fenômenos lingüísticos” (p.11). São atividades rápidas que ajudam a colocar os alunos no “espírito da aula”. Servem para “relaxar os alunos” e despertar-lhes o interesse pela matéria.

No capítulo “saladas” são abordadas atividades leves, que podem ser “servidas antes do prato principal” (p.17). Podem, também, ser “servidas” sozinhas, dispensando outros “pratos”. São propostas atividades variadas com o objetivo de despertar a curiosidade dos alunos e fazer com que sua criatividade aflore. Dentre os objetivos destas atividades, destacados no livro, podemos citar: levar os alunos a refletir sobre o papel do conhecimento prévio individual e cultural na leitura; levá-los a identificar elementos de um texto que marcam os traços dos personagens; fazê-los criar textos pensando no leitor; desenvolver-lhes habilidades de fazer inferências, construir sentidos, identificar temas centrais de textos, levantar e testar hipóteses a respeito do significado dos textos, etc.

No capítulo “pratos quentes” são “receitadas” atividades de interpretação de textos. Os textos são variados e englobam diversos estilos: poesia, prosa de humor, horóscopos de revistas, manchetes de jornais, letras de músicas, etc. Estas atividades têm como objetivo levar o aluno a pensar sobre as noções de texto e textualidade; a desenvolver habilidades relacionadas à compreensão dos recursos textuais e de linguagens utilizados nos textos; a fazer inferências sobre as relações das palavras em um texto; a ler nas entrelinhas, compreendendo os “não-ditos” do texto (ECO, 1979) a desenvolver habilidades de compreender as intertextualidades; a refletir sobre a forma do texto; a perceber as marcas de oralidade, a diferença entre autor e narrador, etc.

Em “Variações sobre o mesmo prato”, Coscarelli sugere que se trabalhe com textos que tenham as mesmas características (linguagem cotidiana, gírias), mas com abordagens diferentes do assunto.

E, finalmente, como “Sobremesas”, Carla sugere atividades relacionadas com a utilização de computadores e a linguagem da Internet (a seguir). Desta maneira trabalha-se com um universo mais próximo aos alunos, universo este que é um lugar onde o aspecto social de cada aluno é muito relevante, o que contribui para expor os alunos às novas concepções de texto.



EXPLORANDO O LADO SOCIAL



Sabe-se que a sala de aula é um laboratório onde se desenvolve o fabuloso processo de ensino e aprendizado, através de intervenções, nem sempre metodológicas e pedagógicas, juntamente com o contato social. Sabe-se ainda que, nesta relação de actantes sociais, os indivíduos encontram-se simetricamente posicionados, isto é, exercem influências em seus pares na mesma medida que são influenciados.

E é no contexto sócio-interacionista que os indivíduos constroem-se, lapidam seu caráter e internalizam, ou não, o conhecimento proposto pelos controladores desse laboratório, ou seja, os professores. É neste complexo e rigoroso sistema que a autora de Livro de receitas do professor de português tenta mostrar que os condutores da sala de aula precisam ter o domínio do quê e como ensinar, fazendo o dia-a-dia dos alunos – e dos próprios professores – menos desgastante, e até mesmo, prazeroso.



VIVENDO A DIFERENÇA

Imagine-se uma sala de aula – vamos dizer, o laboratório social – com sua efervescência: confluência de sentimentos, gostos, pensamentos, paixões, etc., oriunda de diversos meios sociais, que trazem suas respectivas dificuldades e culturas. Esse mundo plural, em constante e acelerado movimento, é que orienta o trabalho da autora, que se preocupa com a facilitação da vida do mestre, sobretudo no que concerne à leitura sem a conhecida “gramatiquice”. Isso não quer dizer que se proponha o caos lingüístico, às vezes ironizado pelos críticos, mas também não se exige que as receitas sejam, metaforicamente falando, “camisas de força”, ou seja, os professores não devem seguir as atividades passo a passo, muito menos usá-las sistematicamente em suas aulas. É a respeito às diferenças do mundo real, tanto aos educadores quanto aos seus tutelados.



ATIVA - IDADE

É verdade que a idade dos alunos, ou melhor, sua maturidade é que, muitas vezes vai orientar e definir que tipo de atividade deverá ser proposta e como a mesma pode variar a fim de satisfazer as necessidades inerentes ao aprendizado.

Outra questão importante é o tipo de linguagem que pode ser utilizada. Ela é essencial para se alcançar o objetivo dos exercícios que Coscarelli nos traz. É a partir do uso de uma variante lingüística – seja ela culta ou coloquial – que o sucesso das tarefas será atingido: “É uma oportunidade para o professor mostrar para os alunos que a qualidade do texto depende dos seus objetivos e da situação em que ele foi usado” (p.42). Obviamente, cada faixa etária – considerando seu grau de maturidade – pedirá uma postura e atitude diferentes.

 

INTER – AGINDO

No laboratório escolar (mais precisamente a sala de aula), os indivíduos estão aptos a entrar em ação a qualquer momento, pois sabem que existe um “contrato”, que diz que a troca de falas, de conteúdo das mesmas, gestos, olhares, etc., os ajudarão na aprendizagem. Esses indivíduos, de maneira inconsciente, sabem também que o cenário em que se encontram, durante seus vários momentos, pode ser definido e redefinido diversas vezes. É pensando assim que a autora define o objetivo das tarefas que, em alguns casos, através da escrita, “é fazer com que os alunos criem textos pensando no leitor e tenham a oportunidade de ver a reação do leitor ao texto que produziu” (p.21).

Isso acontece porque na interação face a face os alunos regulam suas ações de acordo com o contexto, ainda que tenha sido criado com uma determinada intenção. A principio pode se pensar que esse momento “ficcional” seja irrelevante, mas, pelo contrario, é um processo muito complexo, pois se trata da “plasticidade” de aceitabilidade de cada participante. Desse modo, algumas atividades do livro poderão ser rejeitadas ou não; cumprir seus objetivos ou não.

Podemos citar algumas atividades que requerem o uso do computador (o que pressupõe o mínimo de conhecimento sobre a interface apresentada na tela). Na seção de “sobremesas” (p.107-128), a “Etiqueta de Rede” é uma ótima ferramenta para promover a interação entre os próprios alunos da escola ou de outras escolas distantes. Porém, o educador deve estar atento quanto às dificuldades daqueles que ainda não dominam o “informatiquês” (ver atividades nas próximas paginas). Superadas as dificuldades, a interatividade passa a ser uma aliada na construção do conhecimento: do conteúdo ao cultural.

 

PROMOVENDO A “CULTURAÇÃO” DOS ALUNOS

Podemos iniciar fazendo uma reflexão acerca do que é cultura. De acordo com ERICKSON (1987, p.23), por cultura entende-se “modos compartilhados de criar significados”. Isto está, grosso modo, presente em varias atividades da obra em questão, como em “Escurinha” (p.98). Nela, pode-se conhecer um pouco da vida de pessoas de outra cidade – o Rio de Janeiro – com suas características e modo de vida peculiares, como em “Um homem adulto (um ‘nego’, como se autodenomina), carioca, morador do Morro da Mangueira, sambista, de classe baixa, de vida humilde, de poucas posses (barracão), [...]”. Eis aí um bom momento para se promover um debate sobre as diferentes classes existentes e também para mostrar que nem todos os indivíduos que deveriam freqüentar a escola não o podem, devido às suas condições financeiras. Entretanto, esta atividade, se não bem conduzida, pode levar a um efeito contrario, ou seja, o que deveria ajudar a incrementar a bagagem cultural de cada aluno, pode levá-lo a um irremediável preconceito.

Mas não é isso que propõe a autora: nota-se que, ao final, os enunciados das questões levam os alunos a se posicionarem de diversas maneiras; leva-os a perceberem o mundo através de seus diversos prismas. Estão, assim, construindo a cultura escolar que mais adiante será impregnada em suas vidas.



GÊNERO TEXTUAL E CONTEXTO

Muitos gêneros textuais são conhecidos por nós, futuros professores (de língua portuguesa), e isso deve ser tratado com distinção, pois os gêneros serão como ferramentas para aulas mais proveitosas. Porém, pergunta-se: em qual contexto cada um deles será abordado? A resposta é um pouco genérica: não se sabe. Tudo depende da forma como o professor trabalhará o tema em questão e também o objetivo do mesmo. O contexto é outro item que definirá o uso das atividades. Mas, o que é contexto? Segundo CAZDEN (2003, p. 182), o contexto é “a situação encontrada pelo falante no momento que antecede a sua fala. Esse contexto específico possui regras de fala e a essas regras o discurso do falante deve estar adequado”.

O gênero, ora utilizado pela autora é “Horóscopo”, o qual será, de modo breve, analisado por nós. Qual é a melhor maneira de abordar o tema? Os alunos vão responder positivamente? Tudo isso depende de como o professor irá contextualizar o tema; fazendo-o através de uma contextualização eficaz – na qual os participantes se insiram – a chance de ter o objetivo alcançado é maior. Será que os alunos interessam-se por horóscopo? É claro que sim, salvo algumas restrições, pois o assunto é sempre mostrado em diversos meios de comunicação, através de suas variações textuais e tem mostrado um alto grau de aceitação por parte de seus respectivos leitores.

Então, isso equivale a dizer que o sucesso está garantido? Não necessariamente. Deve-se perguntar sobre os objetivos da tarefa e a autora os expõe de forma clara e objetiva. Vamos a um deles: “produzir textos reproduzindo a forma prototípica desse gênero textual para atingir um determinado público”.(p.85).

Embora saibamos que os alunos já entram na Escola com o domínio de uma língua, não dominam os diversos tipos de gêneros textuais. Parafraseando, não basta decodificar a língua, deve-se, também, ter consciência de como e quando usá-la.  Assim sendo, o gênero textual deve ser escolhido e adaptado para cada grupo e suas respectivas diferenças, mas não podemos esquecer de contextualizá-lo.



DIVERSÃO SIM, MAS DENTRO DAS NORMAS

Hoje em dia é necessário que o aluno saiba mais do que a simples decodificação da língua escrita; é necessário que ele saiba fazer uma leitura consciente da realidade em que ele vive.

Como PERON (p.347) cita,

 

“Há a necessidade de que a organização escolar se estruture de maneira que o ensino da leitura e da escrita não ocorra somente na primeira série do Ensino Fundamental, mas, ao contrário, abranja todas as séries, acompanhando toda a trajetória do aluno”.

 

É justamente isso que propõe Coscarelli, já que suas atividades para sala de aula não são apenas diversão, e sim um instrumento eficaz para estimular a leitura e a escrita críticas nas diversas fases do aprendizado.

O papel do professor não deve ser o de normatizador e avaliador do uso das normas pelo aluno em um dado gênero. Ele deve agir como mediador, estimulando o desenvolvimento do aluno como ser pensante e cidadão consciente.

As atividades propostas não visam uma avaliação por nota ou de “certo ou errado”, e sim a compreensão do tema proposto e a discussão do mesmo. Por isso a importância da escolha dos assuntos e textos que sejam relevantes no contexto social, levando em conta a faixa etária para a qual a atividade se destina. Também a importância do uso de portadores de textos diferenciados e a apresentação de diferentes registros. Segundo WOLF (p.81):

 

“O professor tem o importante papel de provocar a reflexão crítica de seus alunos a partir de conflitos que caracterizam as situações do cotidiano tornando-se imprescindível sua participação como problematizador, pois através de seus conhecimentos, possibilitará aos alunos uma relação mais ampla com essa realidade”.

 

A dinâmica de trabalhos em grupo é de grande relevância. Trabalhar em grupo promove a interação entre os indivíduos e possibilita uma rica troca de conhecimentos, além de fazer surgir divergências de pensamentos que constituem a realidade das relações sociais.

Outro “ingrediente” comprovadamente eficaz, usado por Coscarelli em suas “receitas” no processo de instrumentalização de textos é a socialização da produção, como nos diz MOLINA (pg. 271) em pesquisa feita sobre as praticas pedagógicas:
 

“Ler e comentar amistosamente a produção dos alunos foi uma atividade bastante comum durante a mediação desencadeada pela professora. Essas intervenções foram potencialmente motivadoras de outras produções desses alunos que tiveram seus textos comentados, além de motivar a participação dos outros nessa situação de socialização da produção”.
A revisão de textos, que merece lugar de destaque nas atividades de Coscarelli, ocupa posição privilegiada também na articulação das práticas de leitura, produção escrita e reflexão sobre a língua,
 
“Quer seja com toda a classe, quer seja em pequenos grupos, a discussão sobre os textos alheios e próprios, além do objetivo imediato de buscar a eficácia e a correção da escrita, tem objetivos pedagógicos importantes: o desenvolvimento da atitude crítica em relação à própria produção e aprendizagem de procedimentos eficientes para imprimir qualidade aos textos”. (Parâmetros Curriculares, p.82).
 
Toda a moderna teoria sobre o ensino e o aprendizado da língua está inserida nas entrelinhas das práticas de Coscarelli. Como ela própria cita na introdução de seu livro:
 
“Muitos [...] já se convenceram de que o ensino precisa ser diferente, de que a gramática tradicional não pode mais ser o centro das atenções; que o trabalho com vários gêneros discursivos é importante; que os diferentes falares de cada região do Brasil, bem como as diferenças de registros, precisam ser respeitados e explorados; que habilidades cognitivas envolvidas na leitura e na escrita precisam ser desenvolvidas [...]”.
 
Os objetivos e propostas de Coscarelli estão de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino do português, como se lê na página 41, onde encontramos o modo como o ensino de Língua Portuguesa deve se organizar a fim de que os alunos sejam capacitados a:
  • Expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas, sabendo assumir a palavra e produzir textos – tanto orais como escritos – coerentes, coesos, adequados a seus destinatários, aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados;
  • Utilizar diferentes registros, inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente, sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam;
  • Conhecer e respeitar diferentes variedades lingüísticas do português falado;
  • Compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social, interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz;
  • Valorizar a leitura como fonte de informação, via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética, sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos;
  • Utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem, sabendo como proceder para ter acesso, compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes; organizar notas; elaborar roteiros; compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes; fazer resumos, índices, esquemas, etc.;
  • Valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais, sendo capazes de expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opiniões, bem como de acolher, interpretar e considerar os dos outros, contrapondo-os quando necessário;
  • Usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica;
  • Conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe, credo, gênero ou etnia.
OBJETIVANDO UMA PRODUÇÃO CRÍTICA

Como vimos acima, os Parâmetros Curriculares Nacionais são uma grande ferramenta, se bem usada pelos professores na formação de um bom leitor e produtor de textos. Entretanto, deve-se levar em conta que ler não é assim tão simples. De acordo com KLEIMAN (1989)
“O processo de ler é complexo. Como em outras tarefas cognitivas, como resolver problemas, trazer à mente uma informação necessária, aplicar algum conhecimento a uma situação nova, o engajamento de muitos fatores (percepção, atenção, memória) é essencial se queremos fazer sentido ao texto”.
 
Portanto, além de estimular a leitura, o professor deve alertar seus alunos quanto a estes aspectos para que se consiga um resultado satisfatório nas atividades que envolvem a interpretação de textos.
  • Como foi dito no início desta resenha, a escola e, mais precisamente, a sala de aula, é, acima de tudo, um espaço de interação social. Nela é promovido o contato direto entre jovens de diferentes culturas e classes sociais. Sendo assim, é seu papel desempenhar este papel de forma a eliminar preconceitos e fazer com que haja a troca de experiências pessoais entre os alunos, o que amplia o conhecimento de mundo destes. Certamente pensando nisso, e na facilidade de se aprender em grupo, é que a autora prioriza as atividades em grupo, não somente na fase de criação como também na exposição e interpretação dos textos. Com isso, os alunos perdem a vergonha em se expressar, conseguindo resultados melhores; têm contato com pontos de vista diferentes acerca de um mesmo assunto e passam a compreender as funções de um texto, bem como o seu público alvo e qual a intenção implícita do autor, ou seja, vêem que é preciso ler nas entrelinhas.
  • Visando sempre a reflexão sobre o mundo e seus aspectos mais marcantes, a autora sugere que os textos produzidos em sala de aula não devam ser corrigidos, já que se trata de uma exposição de opiniões pessoais. Essa postura encoraja e estimula os alunos, já que um de seus maiores medos é o de “errar as respostas”.
  • É claro que algumas das atividades não são viáveis em todas as escolas, como as que envolvem o uso da Internet (seção de Sobremesas, p. 107-127). Como se sabe, muitas escolas, principalmente as públicas, não estão devidamente equipadas, sem falar que, no caso da Internet, corre-se o grande risco de os alunos se dispersarem e usarem-na para outros fins, como as interessantes salas de bate-papo ou os “blogs”, muito acessados ultimamente pelos jovens. Cabe, então, ao professor, monitorar este tipo de atividade – quando for possível promovê-la – a fim de não permitir que este tipo de atitude ocorra.
  • Nas atividades que compõem a seção de “Variações sobre o mesmo prato”, a autora sugere que o professor leve seus alunos a reconhecerem aspectos marcantes na sociedade. Na primeira atividade, o texto trabalhado é “Não compre, plante”, do grupo Planet Hemp, que aborda temas como a discriminação sócio-racial e a legalização das drogas. Na segunda atividade, o texto trabalhado é “Escurinha”, de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos. Neste texto é abordado, principalmente, o preconceito existente em relação à mulher, considerando que, sem a presença do homem, a vida desta estaria perdida. Já na terceira atividade, o contato com temas presentes na sociedade torna-se mais pessoal, tratando agora do relacionamento – às vezes problemático – entre vizinhos.
Em suma, todas estas atividades transportam os alunos para a realidade do nosso país, fazendo-os pensar sobre temas polêmicos, que vêm geralmente acompanhados de um pré-conceito. Refletindo sobre estes temas, os pré-conceitos são revistos, passando por um processo de análise, sob uma perspectiva mais consciente. Isso reforça a idéia da grandeza do papel social que a escola representa na vida dos alunos, papel tal que chega a interferir em questões totalmente delicadas.
Somando-se a isso, podemos destacar o humor e a clareza das atividades propostas. Essas atividades nos mostram que a construção do conhecimento pode ser algo prazeroso e não doloroso como no ensino tradicional. Outro ponto positivo é a diversidade de atividades, o que atende a um público heterogêneo, as quais podem ser adaptadas às diferentes faixas etárias e classes sociais.
Caso se interesse por novos desafios, caro leitor, leia a obra e produza suas próprias impressões. Bom trabalho

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