Resumo Negrinha - Monteiro Lobato

Resumo do Livro Negrinha de Monteiro Lobato.

Resumo Negrinha - Monteiro Lobato
Negrinha

O livro publicado em 1920, leva o título do conto inicial e as edições sucessivas foram acolhendo novos textos. Predominam os contos constituídos por "casos"(às vezes tétricos,às vezes lúgubres). Mantêm-se as denúncias do atraso da sociedade brasileira, o humor irreverente, o sentido polêmico doutrinário e didático voltado para as reformas das instituições anacrônicas da República Velha. Em alguns contos há a incorporação, no estilo de Lobato, de certas conquistas da vanguarda literária modernista: o ritmo narrativo de corte moderno (frases curtas, nominais, telegráficas). Observe os parágrafos iniciais de Marabá, onde o narrador alude com ironia a vários componentes típicos do romance romântico, em particular do romance histórico de indianista. 

Alexandre Herculano (português) e Walter Scott (escocês) escreveram romances históricos. José de Alencar (brasileiro), Jamers Fenimore Cooper(norte-americano) e François Rene Chateaubriand (francês) sáo romancistas indianistas . A ironia e a sátira desta reinterpretação que Lobato fáz da tradição romanesca romântica prossegue qo longo de mais de dez parágrafos, nos quais personagens, linguagens, metáforas e enredos românticos são implacavelmente parodiados: "Bom tempo houve em que o romance era coisa de aviar com receitas à vista, qual faz o honesto boticário com os seus xaropes: Quer trabuco histórico? Tome tanto de Herculano, tanto de Walter Scott um pagem , um escudeiro e o que baste de Briolanfas, Urracas e Guterres. Quer indianismo? Ponha duas arrobas de Alencar, uns laivos de Fenimore , pitadas de Chateaubriand, guaunas quantum satis misture e mande. Receitas para tudo . Para começo (fórmula Herculano: Era por uma dessas tardes de verão em que o astro-rei etc.etc.. E para fim (fórmula Alencar) "E a palmeira desapareceu no horizonte... 

Arrumado o cenário da natureza, surgia lá em Portugal, um lidador com o seu espadagão, todo carapaçado de ferro e ereto no lombo de ardego morzelo; ou , aqui noBrasil, um cacique de feroz catadura, todo arco , flechas e inúbias. E vinha, ou uma castelã de olhos com cercadura de violetas ou uma morena virgem nua, de pulseira na canela e mel nos lábios. E não tardava um donzel, trovadoresco que cantava a castelã , ou um guerreiro branco que fugia com a Iracema à garupa. Depois , a escada de corda , o luar, os beijos- multiplicação da espécie à moda medieval; ou um sussurro na moita- multiplicação da espécie à moda natural. A tantas o pai feroz descobria tudo e , à frente dos seus peões voava à caça do sedutor em desabalada corrida rebentando dúzia de corcéis; ou o cacique de rabos de arara na cabeça erguia para o céu de Tupã, implorando vingança. 

E a moça desmaiava, e o leitor chorava e a obra recebia etiqueta de histórica, se passada unicamente entre dons e donas ou de indianista , se na manipulação entravam ingredientes do empório Gonçalves Dias, Alencar, e Cia. Veio depois Zola com o seu naturalismo e veio a psicologia e a preocupação da verdade, tudo por contágio da ciência que Darwin , Spencer e outros demônios derramaram no espírito humano Verdade, Verdade... Que musa tirânica. Como faz mal aos romancistas e como os força a ter talento. 'Foram-se as receitas, os figurinos. Cada qual faça como entender, contanto que não discrepe do veritas super omnia latim que em arte significa mentir com verossimilhança."