Resumo O Noviço - Martins Pena

Resumo do Livro O Noviço de Martins Pena.

Resumo O Noviço - Martins Pena
O Noviço

Festejado como um dos grandes comediógrafos nacionais, Martins Pena alcançou grande sucesso de público, com suas peças predominantemente populares, explorando situações e temas que falam bem de perto à alma do espectador e agrada à critica pela forma viva e pitoresca com que critica a sociedade do Rio de Janeiro, de meados do século XIX. Sua produção é extensa e diversificada, constando de cerca de vinte e oito peças no gênero "costumes", sendo o introdutor da modalidade no teatro brasileiro. Como a maioria dos autores da época, só foi ter sua obra completa publicada muito depois de sua morte - em 1956 - destacando-se "O Juiz de Paz na Roça"; "Judas em Sábado de Aleluia" e "O Noviço". 

1. A OBRA 
O Noviço é considerada uma de suas peças mais bem acabadas. Consta de três atos de extração tipicamente romântica, com a linearidade dos personagens saltando à vista, mesmo do observador mais desatento. Retira da idealização romântica a oposição entre o bem e o mal, os fortes e os fracos, os enganadores e os enganados, essência das situações apresentadas, numa oposição maniqueista em que não há meios termos. Ao final, surpreendentemente, o mal triunfa. O primeiro ato passa-se em uma sala ricamente mobilada, como referência da boa situação econômico-financeira de Ambrósio. Em sua fala inicial, Ambrósio faz um panegírico à esperteza, em sua opinião, condição sine quae non para o sucesso na vida. Pela sala desfilam os demais personagens (Carlos, Emília, Florência, Juca, Jorge e José). A ação centra-se na chegada de Carlos, que fugira do seminário aonde fora mandado sem que tivesse vocação para o sacerdócio. Voltando para casa, encontra-se com Emília e relata-lhe a intenção de Floréncia em torná-la freira e a seu irmão, Juca, padre. 

A partir dai desenrola-se a trama da crítica acerba ao patronato que obrigava os jovens a seguir uma carreira para a qual não estavam preparados e nem almejavam, toda ela resumida na fala de Carlos, no ato I, Cena VII: 
“O tempo acostumar! Eis aí por que vemos entre nós, tantos absurdos e disparates. Este tem jeito para sapateiro: pois vai estudar medicina... Excelente médico! Aquele tem inclinação para cômico: pois não senhor será político... 
Ora, ainda isso vá. Estoutro só tem jeito para caiador ou borrador: nada, é oficio que não presta... Seja diplomata, que borra tudo quanto faz. Aqueloutro chama-lhe toda a propensão para a l ladroeira; manda o bom senso que se corrija o sujeitinho, mas isso não se faz: seja tesoureiro de repartição, fiscal, e se vão os cofres da nação à garra... Essoutro tem uma grande carga de preguiça e indolência e só serviria para leigo de convento, no entanto vemos o bom do mandrião empregado público, comendo com as mãos encruzadas sobre a pança pingue ordenado, da nação. 

Este nasceu para poeta ou escritor com uma imaginação fogosa e independente, capaz de grandes cousas, mas não pode seguir a sua inclinação, porque poetas e escritores morrem de miséria, no Brasil... E assim os obriga a necessidade a ser o mais somenos amanuense em uma repartição pública e a copiar cinco horas por dia os mais soníferos papéis. O que acontece? Em breve m atam-lhe a inteligência e fazem do homem pensante maquina estúpida, e assim se gasta uma vida! É preciso, é tempo que alguém olhe para 
isso, e alguém que possa. O respeito e a modéstia prendem muitas línguas, mas vem um dia que a voz da razão Se faz ouvir e tanto mais forte quanto mais comprimida.

A contradição em que vivo tem-me exasperado! E como queres tu que eu não fale quando vejo, aqui, um péssimo cirurgião que poderia ser bom alveitar; ali, um ignorante general que poderia ser excelente enfermeiro; a todo, um periodiqueiro que só serviria para areeiro, tão desbocado e insolente é, etc., etc. Tudo está fora de seus eixos... 

Que não se constranja ninguém, que se estudem os homens e que haja uma bem entendida e esclarecida proteção, e que, sobretudo, se despreze o patronato, que assenta o jumento nas bancas das academias e amarra o homem & talento à manjedoura. Eu, que quisera viver com a espada e a cinta à frente do meu batalhão, conduzi-lo ao inimigo através da metralhadora, bradando: “Marcha... (manobrando pela sala entusiasmado) Camaradas, coragem, calar baionetas! Marche, marche! Firmeza, avança! O inimigo fraqueja... 

2. CONCLUINDO 
Na opinião da crítica especializada, caso se perdessem os informes a respeito da vida brasileira do século XIX , as peças de Martins Pena serviriam de roteiro seguro para recuperarem-se as relações sociais, humanas e familiares daquele século. 
Usando uma linguagem que se apossa do coloquial da época, sem entretanto cair na vala comum do palavrão ou da obscenidade, o Autor também faz um relato lingüistico considerável da fala .comum da época.

Atentando para o fato da comédia, assim como a tragédia, tem em mira a moralização dos costumes. Esta pelo terror que imprime à platéia e aquela, pode-se afirmar que O Noviço reflete bem o estágio e a intenção das artes literárias brasílicas no período imediato à proclamação da independência política.