Laços de Família - Clarice Lispector (2)

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Biografia
 

Muitos escritores de sua geração e / ou seus contemporâneos como Nelson Rodrigues ou até mesmo Carlos Drummond de Andrade comentam sobre o grande enigma do talento de Clarice, basta que você veja o poema abaixo para tentar compreender a enigmática personalidade felina de Clarice:

Clarice

veio de um mistério, partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério

Ou o mistério não era essencial, era Clarice viajando nele

(...)

Fascinava-nos apenas

Deixamos para compreendê-la mais tarde

Mais tarda um dia.. saberemos amar diante.

(Carlos Drummond de Andrade)

Nasceu na Ucrânia, em 10/12/25, chegando ao Brasil, em 1926, em Alagoas. Mudou-se com a família para o Recife, em 1929. onde viveu até 1937, quando mudou para o Rio de Janeiro, onde terminou o curso Ginasial e fez Direito.

Em 1941, começou a trabalhar na agência Nacional corno redatora; em 1942, em A Noite como jornalista.

Em 1943, casou-se como diplomata Maury Guegel Valente. Em 1944, formou-se em Direito, mudou-se para Nápoles, Itália e publicou seu primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, que ganhou o prêmio Graça Aranha.

Em 1946, muda-se para a Suíça e publica O Lustre. Em 1949, nasceu seu primeiro filho, Pedro. Em 1952. publica Alguns Contos e mora na Inglaterra. Em 1953, nasce seu segundo filho, Paulo, nos EUA. Perto do Coração Selvagem, é publicado em Francês em 1954.

Publica A Maçã no Escuro em 1956 e recebe o prêmio Carmen Dolores Barbosa. Separa-se do marido em 1959 e publica A Paixão Segundo GH em 1964.

Em 1967, publica O mistério do coelho presente, seu primeiro livro para criança. premiado pelo MEC. Fere-se num incêndio em seu apartamento. Em 1971, publica Felicidade Clandestina premiado anteriormente. Seus livros são traduzidos para o alemão e o inglês. Morre, de câncer, no Rio de Janeiro, em 09/12/77, após ter escrito sua última obra, A Hora da Estrela.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA AUTORA E OBRA.

Clarice Lispector é, sem duvida, uni dos maiores nomes da literatura de língua portuguesa e, por que não?, do mundo. Alfred M. Adam. do The New York Times , em 1988, a coloca como a maior escritora de prosa da literatura latino - americana e, segundo ele, o fato de ela ser desconhecida do público americano é por sua condição de mulher, brasileira e escrever em Português.

Saudada pelos críticos desde a estréia na literatura com Perto do Coração Selvagem , em 1944, foi comparada aos maiores escritores da prosa metafísica e intimista da tradição anglo-americana.

Escreveu vinte e um livros, entre contos, crônicas, romances, literatura infanto-juvenil e outros gêneros mistos. Foi tachada por alguns como escritora hermética, difícil, complexa, angustiada e incompreensível.

Laços de Família, de 1960, é uma coletânea de treze contos, dentre os quais seis publicados em 1952 com o título de Alguns Contos. Nesses contos Clarice Lispector procura focalizar o processo de aprisionamento dos seres humanos em suas prisões domésticas', daí o titulo, Laços de Família.

Em seus contos, a autora busca o questionamento das formas convencionais e estereotipadas das relações familiares, ritualmente repetidas de geração em geração, dentre as quais, a relação marido/mulher, mãe/filhos, avó/familiares, filha/mãe, dentre outros.

Resumo

"Devaneio e embriaguez duma rapariga'

Uma típica senhora portuguesa casada, certo dia ao encontrar-se defronte ao espelho a mirar-se, estando só em casa ( os filhos e o marido estavam fora ) começou a devanear. Tanto que ficou o tempo inteiro no quarto sob a cama_ o que fez o marido pensar que esta estava doente.

Tão logo os filhos voltam ao lar, a vida retoma o seu norte e nossa personagem volta ao seu ritmo cotidiano, apenas desmanchado por um encontro de negócios entre seu marido e respectivo chefe.

Embriaga-se e desenvolve muita prosa com o chefe do marido_ em verdade enciumava a beleza da vestimenta de outra mulher no recinto e isto feriu-lhe a vaidade.

Ao chegar em casa repensa sua própria sensualidade e o desejo que podia despertar nos homens.

"Amor"

Ana_ urna mulher casada, pacata e mãe de dois filhos, tinha uma vida doméstica muito calma, donde cuidava dos seus com o esmero e amor típicos de uma pessoa fraterna e sensível. Aliás Ana, em hebraico significa "pessoa benéfica, piedosa".

Certo dia ao ir às compras encontrou-se com um cego que muito a impressionou; com a freada brusca do bonde onde se encontrava_ os ovos que carregava acabaram quebrando-se_ pronto! A sua paz tão duramente conquistada desapareceu.

Transtornada acabou por descer no Jardim Botânico que por sua beleza fê-la temer o próprio inferno. Aqui podemos fazer um paralelo entre a beleza que salta aos olhos e o cego que está privado disto_ este último vive o próprio inferno em terra. Esta então é a explicação de tanto que impressionara a personagem.

Ao voltar para casa sentia que alguma coisa havia mudado dentro de si, abraçou o filho tão fortemente que o assustou e foi ajudar o marido quando este derrubou o café. Carinhosamente este pegou-lhe a mão e levou-a para o quarto para dormirem.

"Uma galinha"

Uma galinha de domingo, pronta para o abate. Contudo quando apanhada pelo pai da menina que é a narradora da estória, a galinha acaba pondo um ovo_ imediatamente a menina avisa os demais familiares do fato e alerta-os para a nova condição de "mãe" da galinha.

O pai de família, sentindo-se culpado por tê-la feito correr para o abate, acaba por nomear a ave como de estimação sob pena de que se o animal fosse sacrificado nunca mais voltaria a alimentar-se da galinha.

Contudo, houve um dia em que "mataram-na, comeram-na e passaram-se anos."

"A imitação da rosa"

Laura, casada e sem filhos, preparava-se para um jantar na casa de amigos. Era a primeira vez que ela faria isto desde que voltara do hospital, onde fora internada. provavelmente por causa de um surto. Ela pretendia estar pronta, de banho tomado, em seu vestido marrom, a casa limpa e a empregada despachada, quando seu marido, Armando, chegasse. Assim teria tempo livre para ficar à disposição dele. e ajudá-lo a arrumar-se.

Laura parecia perseguir a perfeição a todo custo, vigiava-se para ser um esposa modelo, submissa e obediente, mediana até na cor dos cabelos, nem loura, nem morena: de modestos cabelos marrons Ela procura parecer normal, premedita todos os seus gostos. Não quer que os outros se preocupem com ela. Pensa o quanto seria bom ver o marido enfim relaxado, conversando como amigo, no jantar, sem lembrar-se de que ela existe.

Exausta e feliz, pois acabara de passar em ferro todas as camisas de Armando. Laura sentou-se na poltrona da sala e cochilou um breve instante.

Quando acordou, teve a sensação de que a sala estava renovada.

Admirou intensamente as rosas que comprara pela manhã, na feira. Eram perfeitas. Resolveu então dá-las á amiga que iria, à noite visitar. Estava decidido, mandaria as flores pela empregada. Mas, logo depois, Laura hesitava. Por que as rosas, tão bonitas, não podiam ser dela mesma? Por que a beleza e exuberância das rosas a ameaçava? Acabou cedendo-as, a empregada levou as flores, e ela não conseguiu voltar atrás.

É provável que a perfeição que Laura vira nas rosas tivesse lhe provocado o impulso de romper novamente com seu lado submisso e servil para se tornar incansável. super-.humana, independente. tranquila, perfeita e serena.

Quando o marido chegou do trabalho, Laura ainda estava sentada na poltrona, e nada tinha feito do que planejara Dirigiu-se a ele: "Voltou. Armando. Voltou. (..) Não pude impedir. disse ela, e a derradeira piedade pelo homem estava ria sua voz, o último pedido de perdão que já vinha misturado à altivez de uma solidão já quase perfeita. Não pude impedir. repetiu, (...) Foi por causa das rosas, disse cor,, modéstia(...) Ele a olhou envelhecido e curioso.

Ela estava sentada com seu vestidinho de casa. Ele sabia que ela fizera o possível para não se tornar luminosa e inalcansável.

"Feliz aniversário"

Tudo preparado para o encontro anual da família. Na casa de Zilda, a única filha, as bolas coloridas espalhavam-se pela sala e o bolo confeitado enfeitava o centro da mesa. Na cabeceira, arrumada e perfumada com água de colônia para disfarçar o cheiro de guardado, estava Cornélia, a matriarca e aniversariante que completava 89 anos.

Primeiro chegaram as noras com os netos, depois os filhos. A velha. sentada. impassível, se perguntava como ela, tão forte, pudera gerar uma família tão medíocre.

Cantaram, parabéns atrapalhados todos fingiam entusiasmo, incapazes de uma alegria verdadeira A velha foi ríspida o quanto pode. Escandalizou os presentes e envergonhou Zilda, cuspindo no chão.

Temos o retrato de uma velha amargurada pela morte do filho que admirava, e o desprezo por todos os demais é oriundo neste fato. É preciso observar que Cornélia é a matriarca de todo o clã e seu nome é de acepção latina e significa duro, forte.

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