Resumo II Documentário Arquitetura da Destruição

Resumo II do Documentário Arquitetura da Destruição de Peter Cohen.

Resumo II Documentário Arquitetura da Destruição
Arquitetura da Destruição

O filme inicia com uma tomada aérea, colorida, lenta, de uma bela cidadezinha na Alemanha. A voz calma, começa a contar (em alemão) que, no seu início, o nazismo era visto como uma ideologia pura, de sérias restrições sexuais: as senhoras mais velhas, no interior do país, diziam que era difícil ser nazista.A partir desta introdução, o documentário Arquitetura da Destruição, utiliza apenas imagens de arquivo para contar a sua história.

Logo ficamos sabendo que não apenas Hitler (um pintor fracassado e grande interessado em arquitetura) tinha arroubos artísticos: grande parte do primeiro escalão nazista também os tinha. São mostradas as pinturas feitas por Hitler em Viena; é comentado o amor que ele tinha por Wagner, assim como a sua vontade de transformar Linz, sua cidade natal, em grande centro cultural. O documentário passa então ao cerne do ideal artístico nazista: o desejo do Führer de embelezar o mundo.

O médico nazista, por exemplo, não fazia mais parte de uma classe que buscava a preservação da vida acima de tudo, mas alguém que, para preservar a beleza, era incumbido de eliminar os fracos e deformados: criou-se para isto, inclusive, um programa de assassinatos por gás letal, o Programa T4. A arte moderna (cubismo e dadaísmo, por exemplo) era considerada uma arte degenerada, e as deformações vistas nos quadros de vanguarda eram, na mentalidade nazista, semelhantes às deformações das pessoas deficientes físicas e mentais.

Por outro lado, a arte promovida por Hitler era baseada na antiguidade greco-romana - mostrando sobretudo corpos nus perfeitos, assim como paisagens bucólicas e felizes cenas familiares. Hitler promovia exposições anuais de arte nazista - e comprava, inclusive, grande parte dos quadros expostos. Dentro deste mesmo ideal de beleza, tanto a higiene pessoal como a limpeza dos locais de trabalho eram incentivadas.

O interesse de Hitler por arquitetura era enorme: ele fazia inclusive esboços de obras monumentais que seriam construídas. Berlim, por exemplo, seria totalmente remodelada, e faria de Paris "uma sombra" da capital alemã. Além disso, ele ficava horas e horas discutindo arquitetura com os principais arquitetos alemães, principalmente com o seu ministro Albert Speer - o Führer despendia um tempo imenso com esta atividade até mesmo em seu bunker, em 1945 (quando os aliados já estavam às portas de Berlim). A própria casa de Hitler, nos Alpes, foi construída segundo seus próprios esboços - com resultados amadorísticos, segundo o documentário.

Dentro da obsessão do Führer pela antiguidade greco-romana também se insere a escravização a que ele fez submeter os povos eslavos. Segundo o documentário, a guerra nazista era uma guerra moderna com objetivos antigos. E, assim como os romanos eliminaram completamente do mapa a cidade de Cartago, Hitler queria apagar qualquer vestígio da capital russa, Moscou: seu desejo era construir uma represa que fizesse a cidade toda submergir.

Os judeus, obviamente, também não faziam parte do "ideal de beleza nazista". Documentários alemães da época mostravam judeus na Europa Oriental mal-vestidos, pobres, sujos e afirmava-se que, "ao contrário da aparência dos ocidentalizados judeus alemães, esta era a verdadeira face dos judeus, prontos para eliminar a Alemanha". Segundo os nazistas, os judeus, como os ratos, também transmitiam doenças (no caso, deixando doente a alma alemã), se multiplicavam rapidamente e não traziam nada de bom.

O mesmo produto usado em desinsetização, o zyclon-b, acabou sendo utilizado nas câmeras de gás para eliminação de judeus. Na ideologia doentia dos alemães da época, os judeus eram inimigos reais da Nação Alemã, e sua eliminação era fruto da necessidade de limpeza - o morticínio, inclusive, passou dos fuzilamentos para as câmeras de gás por este ser um processo mais limpo.

 Arquitetura da destruição termina de maneira quase surrealista: é filmados (na atualidade e a cores) um quarto com pinturas com retratos dos principais dirigentes nazistas. Estes quadros, apreendidos pelos Aliados foram mostrados ao público, décadas após o final da guerra. A câmera, lentamente e em um único plano, vai filmando os retratos dentro do quarto.  O narrador, com a mesma voz desapaixonada que empregara durante todo o filme, conclui que, na verdade, o Nazismo não tinha objetivos políticos mas sim estéticos: e, em nome desta visão estética do mundo, foram eliminadas pessoas inocentes que não se enquadravam no ideal de "beleza" nazista. Na verdade, conclui Arquitetura da destruição, não foram os inimigos do regime nazista os eliminados, mas sim civis inocentes assassinados por forças militares.