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DESENVOLVIMENTO
VIDA
Poeta romântico brasileiro, nasceu em São Paulo, a 12/09/1831 e morreu a 25/04/1852 no Rio de Janeiro. Aprendeu as primeiras letras no Colégio Stoll, da Capital Federal e no Colégio de Pedro II, onde fez o curso de humanidades. Foi sempre o ultimo aluno em ginástica, porém o primeiro em todas as outras aulas.
Já então era um menino profundamente debilitado. De volta em 1848 a São Paulo, ingressou no 4º ano da Faculdade de Direito. Talento precoce, aí ganhou grande notoriedade por admiráveis produções literárias. Viveu a vida acadêmica integrando-se na boemia da época dela recebendo o indispensável estimulo para a feitura de seus ultra-românticos versos.
Não chegou a bacharelar-se, pois morreu prematuramente com menos de 21 anos. Celebrizaram-se suas ultimas palavras: "Que fatalidade meu pai!". Ao escrever os versos "Se eu morresse amanhã" - Composição que simboliza a poesia da duvida no Brasil - pressentira fatidicamente a aproximação da morte. Previsão que não demorou em se tornar angustiosa realidade. Toda a sua bagagem literária escreveu no período de 4 anos.
Álvares de Azevedo não era um depravado como muitos assoalham, levou, apenas, a vida própria do acadêmico da época.
OBRAS
"Poesias Diversas"; "Lira dos Vinte Anos", sua obra de maior mérito; "Noite na Taverna", fantasia literária onde predomina o byronismo; além de outros estudos críticos.
"Foi o imaginoso - diz o critico sergipano Silvio Romero - um triste, um lírico que enfraqueceu as energias da vontade e os fortes impulsos da vida no estudo e enfermou o espírito na leitura tumultuaria dos românticos à Byron Chelley Heine, Musset e Sand.
Quanto ao valor de sua obra deve-se dizer que nele temos um poeta lírico e o esboço de um "conteur", de um dramatista e de um critico; o poeta é superior a "todas as manifestações de seu talento".
No poema "Tristeza" em fecho de ouro sintetizou a sua biografia: "Foi poeta, sonhou e amou na vida.
CONTEXTO HISTÓRICO
A Segunda Geração Romântica, ou Geração do Mal-do-Século, radicalizou a estética da emoção e da subjetividade.
Jovens poetas brasileiros, inspirados em poetas europeus, como Musset ou Lord Byron (Byronismo, Spleen), acrescentaram a poesia brasileira, à partir de 1840 temáticas oriundas do comportamento adolescente, repleto de paixões, contradições e angustias: Amor e morte, duvidas e ironias, entusiasmo e tédio compuseram um universo egocentro e individualista, que dissolveu a preocupação patriótica da Primeira Geração, redirecionando a atividade poética para um derramamento psicológico narcisico e sentimentalmente exacerbado.
A negação do mundo exterior aparece como ponto de partida para a estética dessa geração egótica. A decepção, a frustração e o desencanto com a sociedade burguesa, que deixava a fase revolucionaria para entrar numa fase de estagnação, levou aos jovens poetas o direito à completa alienação do mundo. Presos no "labirinto da solidão", da angustia, da tristeza e da auto ironia masoquista, devaneavam, perseguindo obsessivamente imagens depressivas, faces da morte de seres idealizados, fantasmagóricos, as vezes satânicos. O certo é que a fantasia interior superior a realidade exterior de modo contundente, construindo o chamado "lirismo de descrença".
Formalmente, a Geração Ulta-romântica libertou-se da contenção da Primeira Fase, entregando-se ao ritmo e à organização textual conferida pela emoção, pela inspiração advinda dos estados de alma pouco equilibrados e pouco controláveis pela razão.
A negação inequívoca do mundo exterior e oculto que se fez à morte, como preferida das musas, levou a poesia da Segunda Geração ao registro de ambientes horrendos e grotescos, de acordo com o lirismo negativista de seus poetas: as noites, as sombras, os cemitérios, os desertos, as florestas densas, as ruas ermas, os quartos solitários, os leitos de amor ou de morte ambientavam as cenas desencantadas e carregadas de pessimismo, fazendo-se extensão dos estados de alma do eu-lirico.
TRECHOS DE POESIAS
1 Palia, à luz da lâmpada sombria
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
5 Era a virgem do Mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando...
10 Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando.
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
(Azevedo, Álvares de, Lira dos Vinte Anos, Rio de Janeiro. Edições de Ouro, S/D.,P. 22)
Meu sonho
(Eu)
1 Cavaleiro das armas escuras.
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Porque Brilham teus olhos ardentes
5 Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és ? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso...
E galopas do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeira
10 Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas Trevas Impuras
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
15 Tu escutas... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
20 Pela morte assombrada a vagar?
(O Fantasma)
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que há de matar! ...
(Azevedo, Álvares de, Lira dos Vinte Anos, Rio de Janeiro. Edições de Ouro, S/D.,P. 68)
Soneto
1 Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flores!
5 De minhas faces os mortais valores
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que penso e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! Na minha aurora
10 A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que ultima esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
(Azevedo, Álvares de, Poesias Completas, Rio de Janeiro. Edições de Ouro, S/D.,P. 95)
Se eu morresse amanha
1 Se eu morresse amanha, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
5 Quanta gloria pressinto em meu futuro!
Que aurora de provir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! Que doce n'alva
10 Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de gloria, o dolorido afã ...
15 A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã
(Azevedo, Álvares de, Poesias Completas, Rio de Janeiro. Edições de Ouro, S/D.,P. 96)
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