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Clínica de repouso Imprimir E-mail
Escrito por Filipe Brum   


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Texto de Dalton Trevisan

Narrativa em terceira pessoa, o Conto foi extraído do livro "O Pássaro de Cinco Asas, 1974"; e conta a estória de Dona Candinha, internada num hospício por se desentender com a filha após trazer para casa seu namorado.

Dona Candinha é apresentada para João, já em sua casa.

Maria enrolava a mãe dizendo que João era irmão de uma amiga, não tinha emprego e vindo do interior, não tinha onde morar.

"Dias mais tarde a velha descobriu que, primeiro, o distinto já estava empregado (colega de repartição de Maria) e, segundo, ainda que dez anos mais moço, era namorado da filha."

Dona Candinha discute com a filha e com o moço que disse: " - Sou moço simples, minha senhora. Uma coxinha de frango é o que me basta. Ovo frito na manteiga."

A velha surpreendia-se com o comportamento dos dois pela casa e pede para a filha colocá-lo para fora de sua casa ameaçando tomar alguma providência. Quando a filha saiu, dona Candinha bateu na porta do moço e mandou-o embora. Na volta da filha esta "... insultou dona Candinha aos gritos de velha doida, maníaca , avarenta."

Na seqüência discutem fervorosamente e dona Candinha sentiu-se mal com palpitação, tontura e pé frio. Foi para a cama dizendo que iria morrer. João ficou apavorado, fez as malas e se foi. Dona Candinha acordou bem feliz e a filha logo lhe ameaçou dizendo: " -O João volta ou saio de casa. A vergonha é da senhora."

Discutem, mãe e filha e dona Candinha novamente cai de cama. A filha é impiedosa. "- A senhora não me ilude. Finge-se doente para me castigar. Com este calor debaixo da coberta."

Dias mais tarde, Maria traz um médico que recomenda tratamento de repouso para dona Candinha que está com esgotamento nervoso. " - A senhora vai por bem - intimou a filha. - Ou então à força."

Dona Candinha queria o convento das freiras e não o hospital que lhe recordava o falecido, mas a filha invadiu seu quarto com um enfermeiro e o noivo, que lhe arrastaram para o asilo Nossa Senhora da Luz, ficando lá perdida com todo tipo de loucos.

Exite no conto, após a internação de dona Candinha, as mais variadas expressões que possam representar os doentes. É uma seqüência de louca, doida, epilética, alcoólatra, louquinha, possessa, doidinha, mansa, lunática, furiosa, boba etc

Dona Candinha é tratada com pílulas e choque.

"Vinte e dois dias depois recebeu a visita da filha, o noivo fumava na porta."

Dona Candinha não se alimentava porque a comida lhe enojava e não tomava água, pois uma possessa havia vomitado na pia onde pegava água. A filha dizia que a mãe fazia greve de fome. Brigavam e a filha sempre a condenando cada vez mais.

Enquanto isso: " Instalado na casa, o noivo regalava-se com ovo frito na manteiga, coxinha gorda de frango."

Chorava o dia todo, lembrava-se do finado e achava que estava internada por própria culpa pois não saíra da cama dando a chance para a filha lhe internar.

"Minha própria filha? - estalou baixinho a língua ressequida - Que não me acudiu na maior precisão?"

Foi pega rondando o portão e lhe confiscaram as roupas. Agora somente de camisolão sujo, dona Candinha sobrevive de chá frio com bolachas e nem consegue ler, mesmo de óculos.

Dessa forma o quadro de dona Candinha toma uma direção irreversível. A filha é implacável e reclama para o doutor que a mãe não sai da cama em pleno dia de sol e continua sempre se queixando.

Dona Candinha a manda embora: "Desapareça da minha vida. Você mais o dente de ouro."

Assim termina dona Candinha no meio do hospício. "De dia o rádio ligado no maior volume. À noite a gritaria furiosa das lunáticas (...) Com paciência, amansa uma mosca das grades que vem comer na sua mão (...) Há três dias, afeiçoada à velhinha, não foge a mosca por entre as grades da janela."

Narrativa em terceira pessoa, o Conto foi extraído do livro "O Pássaro de Cinco Asas, 1974"; e conta a estória de Dona Candinha, internada num hospício por se desentender com a filha após trazer para casa seu namorado.

Dona Candinha é apresentada para João, já em sua casa.

Maria enrolava a mãe dizendo que João era irmão de uma amiga, não tinha emprego e vindo do interior, não tinha onde morar.

"Dias mais tarde a velha descobriu que, primeiro, o distinto já estava empregado (colega de repartição de Maria) e, segundo, ainda que dez anos mais moço, era namorado da filha."

Dona Candinha discute com a filha e com o moço que disse: " - Sou moço simples, minha senhora. Uma coxinha de frango é o que me basta. Ovo frito na manteiga."

A velha surpreendia-se com o comportamento dos dois pela casa e pede para a filha colocá-lo para fora de sua casa ameaçando tomar alguma providência. Quando a filha saiu, dona Candinha bateu na porta do moço e mandou-o embora. Na volta da filha esta "... insultou dona Candinha aos gritos de velha doida, maníaca , avarenta."

Na seqüência discutem fervorosamente e dona Candinha sentiu-se mal com palpitação, tontura e pé frio. Foi para a cama dizendo que iria morrer. João ficou apavorado, fez as malas e se foi. Dona Candinha acordou bem feliz e a filha logo lhe ameaçou dizendo: " -O João volta ou saio de casa. A vergonha é da senhora."

Discutem, mãe e filha e dona Candinha novamente cai de cama. A filha é impiedosa. "- A senhora não me ilude. Finge-se doente para me castigar. Com este calor debaixo da coberta."

Dias mais tarde, Maria traz um médico que recomenda tratamento de repouso para dona Candinha que está com esgotamento nervoso. " - A senhora vai por bem - intimou a filha. - Ou então à força."

Dona Candinha queria o convento das freiras e não o hospital que lhe recordava o falecido, mas a filha invadiu seu quarto com um enfermeiro e o noivo, que lhe arrastaram para o asilo Nossa Senhora da Luz, ficando lá perdida com todo tipo de loucos.

Exite no conto, após a internação de dona Candinha, as mais variadas expressões que possam representar os doentes. É uma seqüência de louca, doida, epilética, alcoólatra, louquinha, possessa, doidinha, mansa, lunática, furiosa, boba etc

Dona Candinha é tratada com pílulas e choque.

"Vinte e dois dias depois recebeu a visita da filha, o noivo fumava na porta."

Dona Candinha não se alimentava porque a comida lhe enojava e não tomava água, pois uma possessa havia vomitado na pia onde pegava água. A filha dizia que a mãe fazia greve de fome. Brigavam e a filha sempre a condenando cada vez mais.

Enquanto isso: " Instalado na casa, o noivo regalava-se com ovo frito na manteiga, coxinha gorda de frango."

Chorava o dia todo, lembrava-se do finado e achava que estava internada por própria culpa pois não saíra da cama dando a chance para a filha lhe internar.

"Minha própria filha? - estalou baixinho a língua ressequida - Que não me acudiu na maior precisão?"

Foi pega rondando o portão e lhe confiscaram as roupas. Agora somente de camisolão sujo, dona Candinha sobrevive de chá frio com bolachas e nem consegue ler, mesmo de óculos.

Dessa forma o quadro de dona Candinha toma uma direção irreversível. A filha é implacável e reclama para o doutor que a mãe não sai da cama em pleno dia de sol e continua sempre se queixando.

Dona Candinha a manda embora: "Desapareça da minha vida. Você mais o dente de ouro."

Assim termina dona Candinha no meio do hospício. "De dia o rádio ligado no maior volume. À noite a gritaria furiosa das lunáticas (...) Com paciência, amansa uma mosca das grades que vem comer na sua mão (...) Há três dias, afeiçoada à velhinha, não foge a mosca por entre as grades da janela."

 
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