A Cidade e as Serras - Eça de Queirós

A cidade e as serras Enredo da peça: Escrito em primeira pessoa, A Cidade e as Serras, como a maioria dos romances de Eça de Queirós, há um narrador-personagem, José Fernandes, o qual não se confunde com o protagonista da obra, Jacinto de Tormes. Este narrador coloca-se como menos importante do que o protagonista, como podemos perceber, por exemplo, no início da obra. Nos primeiros parágrafos do livro o narrador, em vez de apresentar-se ao leitor, coloca-se em segundo plano para apresentar toda a descendência dos de Tormes, até aparecer a figura de Jacinto. Além disso, dá-lhe tratamento diferenciado, parecendo idealizar Jacinto, na medida em que o chama de "Príncipe da Grã-Ventura", conforme apelido estudantil do protagonista. * O narrador centraliza seu interesse na figura de um certo Jacinto, descrevendo-o como um homem extremamente forte e rico, que, embora tenha nascido em Paris, no 202 dos Campos Elíseos, tem seus proventos recolhidos de Portugal, onde a família possui extensas terras, desde os tempos de D. Dinis, com plantações e produção de vinho, cortiça e oliveira, que lhe rendem bem.

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Foco narrativo - É narrado em 1ª pessoa, pelo personagem-narrador Zé Fernandes, que conta a história do seu amigo protagonista, Jacinto. • Espaço - Apresenta dois espaços vitais para a compreensão do enredo, Paris e Portugal (Tormes). • Tempo - Este é cronológico, estabelecido entre 1866 e 1889. • Personagens - Os principais são Jacinto e Zé Fernandes, temos ainda os freqüentadores do 202, em Paris (Madame de Oriol, Grão-duque) e os da serra (Joaninha e tia Vicência). Jacinto – O protagonista, português residente em Paris, entusiasta da vida urbana, das inovações tecnológicas e da ciência; características que vão se alterar drasticamente durante a história. Cintinho – Pai de Jacinto, homem de saúde frágil e temperamento sombrio. Jacinto Galião – Também chamado dom Galião. Avô de Jacinto. José Fernandes – Narrador-personagem, amigo de Jacinto desde os tempos de estudante, quando os dois moravam em Paris. Grilo – O mais antigo criado de Jacinto, negro que desde a infância acompanha o patrão. Havia sido levado a Paris por dom Galião. Joaninha – Prima de Zé Fernandes, camponesa portuguesa saudável e rústica.

Um pouco sobre o livro: Este último romance de Eça de Queirós foi publicado em 1901, um ano após sua morte. Retirado do conto "Civilização", tem sido considerado, junto com as obras "A Ilustre Casa de Ramires" e "Correspondência de Fradique Mendes", uma trilogia, cujo ponto comum é a crítica ao ambiente social e urbano de Portugal. Como o próprio nome da obra revela (a cidade se opõe ao campo), pretende criticar o progresso técnico, urgente e rápido, na virada do século 19 para o 20. Eça de Queirós julgava, ao fim da vida, que o homem só era feliz longe da civilização. Por isso, a temática mais forte da obra é contra a ociosidade dos que têm dinheiro na cidade, e sua vida burguesa, ou seja, o acúmulo irrefletido de dinheiro. Resenha crítica O livro ‘A cidade e as serras’, de Eça de Queirós, publicado no ano de 1901, um ano após a sua morte, relata a história de Jacinto de Tormes, um homem totalmente civilizado que vivia rodeado por uma falsa sociedade, tal como: mulheres pouco profundas, em cujos rostos formavam-se rugas graças à ânsia de sempre sorrir para mostrarem-se felizes aos outros; cientistas que elaboravam teorias e escreviam livros para fazerem-se conhecidos; maridos que davam mais importância aos negócios que às próprias esposas, e assim por diante.

O protagonista acreditava que a vida no campo era desprezível e que viver rondado por tecnologias era mais acomodável. Então, a personagem resolve trocar o mundo tecnológico e cheio de comodidades pelo mundo ‘natural’ e ‘simples’, mas onde ele encontra a verdadeira razão para ser feliz. A obra passa a mostrar a relação de elites e as classes subalternas (que estão sob as ordens de outro), demonstrada na parte em que Jacinto reforma sua propriedade e muda as condições de vida dos trabalhadores. Jacinto é filho e neto de portugueses, porém nasceu em Paris e nunca conheceu Portugal. O romance de caráter belo e denso se passa em torno da personagem criticando seu estilo de vida, que é semelhante ou próprio de francês e privado de autenticidade e se desenraiza do solo e da cultura do país.

O protagonista luta pelo equilíbrio, cujo o qual provem da racionalidade e da modernidade da vida no campo, até porque quando ele vai para a serra passa a se sentir único e irressistível, que luta contra as resistências dos empregados ao trabalho. Assim, quando Jacinto encontra o que realmente procurava, a felicidade, entra em uma viagem na qual reconhece a sua personalidade e ao seu pais, embarcando na pátria Portuguesa. Para que o leitor compreenda a história é importante que fique evidente a categoria de espaço, destacando os contrastes e as diferenças geográficas. Eça de Queirós tenta passar para os leitores a oposição entre o espaço civilizado e o espaço natural, (podemos dizer que há uma defesa à vida no campo e uma caricatura da cidade) presente não só na obra, como em toda nossa realidade social.

 

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